Zelaya na Embaixada…e agora?

O governo Lula comete um engano. O Presidente de Honduras foi deposto pela Suprema Corte do país e ratificado pelo Congresso daquele País. As eleições estão marcadas para daqui a dois meses com 6 candidatos.” Alexandre Garcia, no Bom dia Brasil”. Então fica a pergunta. Onde está o Golpe? O mesmo governo que condena tal golpe faz vistas grossas para o Coronel Chavez e a mordaça que coloca na Imprensa Venezuelana, para o destemperado Rapael Correa do Equador, e para Evo Morales da Bolivia. Será que a turma da Dilma não está tentada a fazer o mesmo no Brasil?  É muito perigoso inverter pontos de vista, a história já nos mostrou isso.

Paulo Rink

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Mercadante: ação do Brasil em Honduras é “correta”

Por: Diego Salmen

Fonte: Terra Magazine

Empossado no início desta semana como vice-presidente do Parlasul (Parlamento do Mercosul), o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) rejeita as acusações de que o governo brasileiro tenha tido uma atitude “chavista” ao conceder abrigo em sua embaixada ao presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya.

“Algumas lideranças da oposição apoiaram o golpe de estado no Brasil. Tiveram uma conversão democrática recente”, diz. “Como é que lideranças do PSDB criticam a embaixada do Brasil quando ela concedeu o abrigo que foi fundamental para que inclusive lideranças do PSDB tenham sobrevivido ao golpe no Chile?”, critica. “Isso é uma visão absolutamente equivocada”.

Em entrevista a Terra Magazine, o senador diz que a postura do governo brasileiro na crise hondurenha está “sintonizada” com a dos países democráticos do continente. “Será muito pior para a região se nós voltarmos a ter um ciclo de ditaduras na região, como já tivemos nos anos 60 e 70”, avalia.

Nesta terça-feira, Mercadante apresentou no Senado uma moção de repúdio ao golpe militar em Honduras, ocorrido em junho. O documento foi aprovado por unanimidade.

No mesmo dia, a delegação do Brasil na ONU (Organização das Nações Unidas) solicitou à presidência rotativa uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança para discutir a crise no país da América Central.

Confira a entrevista:

Terra Magazine – Como vê a atuação do governo na crise em Honduras?

Aloizio Mercadante – O governo brasileiro tem uma posição histórica de defesa da democracia e do Estado de Direito, e não aceita o governo dos golpistas que está se transformando em uma ditadura. Eles estão totalmente isolados internacionalmente, vários países já retiraram embaixada de lá, como é o caso da Argentina. E o Brasil tem liderado esse movimento na Unasul (União das Nações Sul-Americanas) e na OEA (Organização dos Estados Americanos).

Mas…

O Zelaya estava no exílio, o tema estava saindo da pauta e os golpistas tentando se estabilizar. Ao entrar, escolheu a embaixada do Brasil, primeiro porque várias já estão fechadas; segundo porque o Brasil tem liderança regional, é um país que tem um diálogo e capacidade de influência internacional. A embaixada do Brasil tinha uma localização estratégica que favorecia a manifestação. Agora, o Brasil não teve participação nessa opção (de Zelaya), mas concedeu o abrigo, que está previsto na Convenção de Viena. Brasileiros tiveram que se refugiar embaixadas durante o golpe no Chile em 1973 para não serem presos e torturados. Alguns foram mortos. Então, o Brasil está, mais uma vez, reafirmando seu compromisso com os direitos humanos e buscando uma solução pacífica.

Alguns membros da oposição disseram que o Brasil tem uma atitude “chavista” ao interferir dessa maneira…

Algumas lideranças da oposição, na realidade, apoiaram o golpe de estado no Brasil e vários outros golpes na América Latina no passado. Tiveram uma conversão democrática recente. Outras eu realmente não consigo entender. Por exemplo, como é que lideranças do PSDB criticam a embaixada do Brasil quando ela concedeu o abrigo, que foi fundamental para que lideranças do PSDB tenham sobrevivido ao golpe no Chile? Isso é uma visão absolutamente equivocada. O que a oposição deveria estar fazendo é se somar ao governo e às vozes democráticas do mundo que condenam os golpistas, e não (condenar) o presidente deposto que está tentando voltar ao cargo que o povo lhe deu.

Esse abrigo a Zelaya não quebra, de algum modo, a tão citada tradição de neutralidade da diplomacia brasileira?

O Brasil e todos os países da região já condenaram o golpe. Os Estados Unidos romperam acordos comerciais. Então o Brasil está sintonizado com todos os países democráticos do mundo e do continente. Essa posição é correta. E o fato de ele ter optado pela embaixada do Brasil é como no golpe do Chile: várias embaixadas europeias abrigaram militantes de esquerda por meses.

Sim…

O Brasil tem que dar o abrigo, é um princípio fundamental, assim como o asilo político. E nós estamos lutando por princípios, a defesa da democracia. Será muito pior para a região se nós voltarmos a ter um ciclo de ditaduras na região, como já tivemos nos anos 60 e 70.

Para não se abrir um precedente?

Para não abrir um precedente gravíssimo. Não pode mais haver golpes de Estado na região. E nós temos que usar todos os instrumentos para derrotar os golpistas e abortar qualquer tentativa de ditadura.

O que pode acontecer caso haja uma invasão do exército hondurenho à embaixada?

A Convenção de Viena considera a embaixada como território do país que está ali instalado. Os golpistas já disseram que respeitarão a embaixada. Isso violaria um princípio básico. Agora, esse fato (a presença de Zelaya na embaixada) agrava a situação deles, retoma a pressão internacional e gera um constrangimento muito grande aos golpistas. E faz parte de uma esratégia democrática e pacífica que o presidente deposto está tentando construir.

Além de aprovar uma moção, o que o Parlasul pode fazer de mais concreto nessa situação?

O Parlasul só pode tomar medidas mais concretas envolvendo os países membros, que são aqueles do Mercosul. O Tratado de Ushuaia também tem uma cláusula democrática: o país só pode permanecer no Mercosul se respeitar a democracia. O governo brasileiro está pedindo uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, para que toma uma posição mais firme, e uma reunião da OEA, para que se possa encontrar uma solução pacífica.

Terra Magazine

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