Lini e as 19 Plásticas da Miss (Crônicas)

Segue mais uma do Taylor Diniz.

Raul Avelino

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A Lini e as 19 plásticas da Miss

A Lini esperou o Teixeira viajar e decidiu dar uma lapidada no cadáver. Queria chegar o mais perto possível da perfeição e fazer uma surpresa para o marido quando ele voltasse. Procurou um cirurgião plástico e um missólogo de plantão e deitou na mesa de rodinhas, feliz da vida e cheia de boas intenções.

Quando o Teixeira voltou, a Lini o esperava atrás da porta, só de calcinha e sapatos de salto alto. Ele botou os olhos nela e a primeira reação foi de espanto. Depois perguntou o que significava aquilo tudo. A Lini não se abateu e contou do acontecido. Fizera 19 plásticas enquanto ele estivera ausente.

“Olha só amor, o que o teu cinzeirinho de cristal não faz pelo cabritinho de pano dela!”, disse a Lini, dengosa, fazendo uma volta sobre si mesma.

E foi enumerando cada uma das alterações feitas no corpo, sob o olhar de um Teixeira mudo e abobalhado, imóvel no meio da casa:

“Levantei as maçãs da face, mudei o desenho dos olhos e o contorno superior da face, preenchi a área do queixo para arredondar o rosto, redesenhei e aumentei o volume dos lábios, implantei 200 ml de silicone nos seios, fixei o lóbulo da orelha junto à cabeça, redefini o contorno da cintura e do abdômen, acentuei a curva das costas, implantei cílios novos e retirei três sinais; do pescoço, do queixo e aquele do bumbum…”

Nessa altura da explanação o Teixeira não se conteve e gritou, babando nos cantos da boca.

“Tudo isso só pra ficar com essa cara de miss recauchutada, Lini!?”

O Teixeira arrancou a gravata do pescoço e a jogou pelos ares, inconformado:

“E como se não bastasse ainda tirou aquela patinha de caranguejo do bumbum, Lini!? A patinha de caranguejo que eu mais contava, pô!”

“Pena, Tê…”, respondeu ela, com cara de pouco caso. “Mas agora não tem volta!”

“Não tem volta digo eu!”, gritou ele, ganhando o caminho da rua.

Antes de entrar no carro, o Teixeira ainda fez uma banana para a Lini, destilando nos olhos toda a raiva que sentia por dentro por causa da sua ex-patinha de caranguejo:

“Vai concorrer a miss Brasil, vai! Mas nunca mais me chame de teu cabritinho de pano, tá sabendo!? Acabou!”

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