Ato (nada) Humanitário

Recentemente ministrando uma aula de ética abordei com os alunos a “mutação” da ética. Taí um bom tema. Desde quando gatunagem do dinheiro público virou “ato humanitário”?

Paulo Rink

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Em tempo: “Foi um ato humanitário (…) Se eu cometo um grave erro, minha esposa, que é médica, vai ser rejeitada nos hospitais? Fico pensando nisso.”

A palhaçada só aumenta. Nem deixaram “esfriar” a pizza.

Daniel Pinheiro
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Senador tucano requisita mulher de ex-diretor Agaciel Maia para seu gabinete

Como justificativa, Papaléo Paes (PSDB-AP) disse que fez ‘ato humanitário’. Agaciel saiu da Diretoria Geral do Senado no escândalo dos atos secretos.

Eduardo Bresciani Do G1, em Brasília

Sob a alegação de ter praticado “um ato humanitário”, o senador Papaléo Paes (PSDB-AP) requisitou para trabalhar em seu gabinete nesta semana a analista do Senado Sanzia Erinalva do Lago Cruz Maia, mulher do ex-diretor-geral da Casa Agaciel Maia.

Sanzia é servidora do quadro efetivo da Casa. Durante boa parte dos 14 anos em que seu marido comandou a Diretoria Geral do Senado, ela chefiou a Secretaria de Estágios, cargo para o qual foi nomeada pelo próprio Agaciel em setembro de 1999. A Secretaria de Estágios é um dos setores cobiçados do Senado por contar com um quadro de cerca de 300 estagiários. Sanzia deixou o cargo depois de o Supremo Tribunal Federal ter editado resolução proibindo a prática de nepotismo no serviço público, em agosto de 2008.

O G1 tentou localizar Sanzia a partir do gabinete do senador tucano. A assessoria de Papaléo informou que não tinha os contatos da servidora, mas disse ter informações de que a mulher de Agaciel estaria licenciada do trabalho da Casa.

Para justificar a requisição de Sanzia, Papaléo argumentou que ficou comovido com o relato de um servidor do Senado, segundo o qual Sanzia estaria sendo discriminada por ser mulher de Agaciel.

“Cruzei com um servidor antigo. Ele me disse que estava baqueado com o que aconteceu, que a doutora Sânzia, porque é mulher do Agaciel, ninguém está aceitando no gabinete, estavam discriminando. Aí mandei ir lá no meu gabinete. Foi um ato humanitário”, disse Papaléo, negando que a requisição tenha sido realizada por influência de Agaciel.

O ex-diretor-geral deixou o cargo depois de ser apontado como principal responsável pela edição de atos secretos no Senado. Em dois levantamentos, a administração da Casa já encontrou 979 medidas não publicadas que reajustaram salários, criaram atribuições, benefícios e nomearam apadrinhados de senadores.

A requisição de Sanzia ainda não foi publicada no Boletim Administrativo de Pessoal do Senado. O senador tucano, no entanto, espera que a nova assessora já comece a atuar em seu gabinete na próxima semana. Papaléo disse que tinha em aberto uma vaga que poderia ser ocupada por servidor efetivo. Ele afirma esperar um bom trabalho da funcionária, justamente porque seria interesse dela se desvencilhar da imagem de esposa de Agaciel.

“Se eu cometo um grave erro, minha esposa, que é médica, vai ser rejeitada nos hospitais? Fico pensando nisso. Tecnicamente, acho que ganhei uma técnica que vai querer suplantar essa situação difícil e mostrar seu valor”, afirmou o tucano.

Papaléo garante que não falou com Agaciel sobre o tema. Aliado do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o tucano disse que não o consultou. “Não comentei. Até para ele (Sarney) não pensar que estou querendo agradar. Aliás, não sei se ele receberia bem. Não quis interferência porque não foi uma decisão política”.

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