Por um Mundo Muito Pior (parte I) (por Daniel Pinheiro)

Por um Mundo Muito Pior

Autor: Daniel Pinheiro

Segundo consta na minha preferidíssima (sic!) Wikipédia, “o Transtorno de Personalidade Anti-Social, vulgarmente chamado Sociopatia, é um transtorno de personalidade (…) caracterizado pelo comportamento impulsivo do indivíduo afetado, desprezo por normas sociais, e indiferença aos direitos e sentimentos dos outros”. Já a psicopatia, bastante próxima do transtorno de personalidade anti-social, em geral, é mais severa que este, segundo informações da mesma fonte.

Ousarei deixar apenas os critérios que constam em um dos itens (A) do Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais (vulgo DSM-IV), sem a introdução devida feita na Wikipédia, dos quais três deles indicariam traços da sociopatia:

  1. Fracasso em conformar-se às normas sociais com relação a comportamentos legais, indicado pela execução repetida de atos que constituem motivo de detenção;
  2. Tendência para enganar, indicada por mentir repetidamente, usar nomes falsos ou ludibriar os outros para obter vantagens pessoais ou prazer;
  3. Impulsividade ou fracasso em fazer planos para o futuro;
  4. Irritabilidade e agressividade, indicadas por repetidas lutas corporais ou agressões físicas;
  5. Desrespeito irresponsável pela segurança própria ou alheia;
  6. Irresponsabilidade consistente, indicada por um repetido fracasso em manter um comportamento laboral consistente ou honrar obrigações financeiras;
  7. Ausência de remorso, indicada por indiferença ou racionalização por ter ferido, maltratado ou roubado outra pessoa.

Uso apenas estes de forma ilustrativa, para provocar o que quero falar a frente. Mas, antes, ainda, há um complemento que talvez nos sirva: “Importante notar que o termo antissocial, na psiquiatria, não significa (como rotineiramente costuma ser entendido) um tipo de inibição social, timidez ou o fato de ser introvertido/reservado, mas sim, atitudes contrárias às regras da sociedade (grifo nosso). Nesse caso de timidez ou ser introvertido ou reservado na psiquiatria contemporânea o termo usado é conduta defensiva”.

Recorro agora a outra definição, interessante, encontrada no blog Sociedade Nua. Aliás, vou copiar parte do texto na íntegra. Pulando (indicando por […] quando o fizer) algumas partes, tentarei deixar o texto mais curto, aproximando-se de onde talvez eu chegue. Os negritos e itálicos serão nossos, propositais, para destacar algumas coisinhas…

O condutor incondutível…

“São pessoas que nas suas atitudes “intransparentes” difere-se um cruel comportamento torpe, contemporâneo, oculto expansivo: Personalidade inconclusa vinculada à destuação de caráter e espírito, com característica para a emigração na defensiva; que acredita ser o dono (a) da razão, sempre!!! Delimitando “seu espaço” sem se importar com demais pessoas e situação a sua volta. A essas informações com forte carga negativa já embutida no caráter destas, que predispõe o indivíduo para uma determinada ação (comportamento), dou o nome de: Sociopata ou indivíduo com distúrbios espirituais, que mexe com todo caráter e comportamento do portador, o levando ao declínio social e moral com requintes e mecanismos de sadismo e crueldade nas suas atitudes. […]. Que tem no seu intimo, já incrustada, a fiel convicção de viver a atormentar a tranqüilidade, paz e domínios alheios. Fazendo das vidas de algumas pessoas, um verdadeiro inferno quase que diário. Porem, esse tipo de gente tem nas suas características físicas, um semblante enganador e quase sempre angelical; na voz, um suar encantador que sob uma mascara sônica, envolve algumas seguidoras (os), que, por precisão de apoio financeiro em prol da sobrevivência, lhes apóia com uma indescritível devoção que poucos conseguem compreender.” […]

“Seu alimento: a ousadia e a discórdia. Que lhes preenche e alimenta todo seu espírito e coração nebuloso. As características dos sociopatas englobam, principalmente, o desprezo pelas obrigações sociais e a falta de consideração com os sentimentos dos alheios. Eles possuem um egocentrismo exageradamente patológico, emoções superficiais, teatrais e falsas, pobre ou nenhum controle da impulsividade, baixa tolerância para frustração, baixo limiar para descarga de agressão, irresponsabilidade, falta de empatia com outros seres humanos, ausência de sentimentos de remorso e de culpa em relação ao seu comportamento. Essas pessoas geralmente são cínicas, incapazes de manter uma relação leal e duradoura. São manipuladoras, e incapazes de amar de verdade.

São indivíduos que não preenchem e nem trazem nada para a sociedade, apenas para os seus, talvez. São pessoas enfermas de espírito que ainda na magia de suas cresças, umedecem e alimentam mais ainda o seu coração de pessoa ínfima e articulosa. São dignas de compaixão e de muita oração por serem nocivas ao convívio social.”

Agora, some-se a este texto último o pequeno lapso de conhecimento compartilhado sobre o tema na Wikipédia. Espiritual, mental… não há razão para não se dar conta de que, ao ler, sentimos a sensação, real e lasciva, de que “parece que estão falando de alguém que eu conheço”. Se você se identificou, não se preocupe. Pode servir de reflexão. Se alguém sempre te diz isso, e você mesmo lendo, insistiu em negar, procurando uma linha que justifique o seu modo de pensar de que não era com você, pare por alguns minutos.

Do ponto de vista do espírito, empobrecemos a cada dia. Envelhecer deveria ser uma riqueza, mas a sociedade caminha na direção contrária. Tornar-se “velho” virou uma tormenta. O velho é um termo quase pejorativo. Agora, é idoso. A ciência, com a justificativa de uma vida longa e melhor, vendeu boa parte do que conquistou para aqueles que desejavam comercializar a “fonte da juventude”. Para isso, tivemos que abandonar o nosso ideal de envelhecer, e passamos a desprezar os nossos, agora rotulados, idosos. Meu amigo Paulo Rink que me desculpe. No começo deste texto nem imaginei que escreveria este parágrafo, mas lembrando de sua história recente, foi inevitável falar isso.

O “velho” tornou-se um fardo. Cada vez mais buscam-se “atividades para a terceira idade”. Lembro que, com meus avós, Sr. Salvador nascido em 1894 (falecido em 1993) e D. Francisca nascida em 1904 (falecida em 1992), as atividades eram estar em família. E o conceito de família nunca foi o de “quem mora lá em casa”. A família era família, era todo mundo. O primo distante, a prima, do primo, do irmão, do sobrinho… Mas, estar junto, visitar os velhinhos (sim, carinhosamente, eram velhinhos) era realmente o programa da terceira idade.

Em minha opinião, os sociopatas são pessoas que cresceram alheios à tudo isso. Reprimidos, passam a querer ser o centro das atenções e do mundo, para que lhe venerem. Os mais fracos, realmente, tornam-se seguidores deste tipo de pessoa, copiando-os. E são também sociopatas, pois perdem o seu próprio papel em sociedade. A relação dominador e dominado é clara. Geralmente, para não dizer fundamentalmente, é comandada por dinheiro, hierarquia e poder. A busca de status é constante. O desejo de consumir, infinito. Os artefatos (roupas, sapatos, jóias, carros, maquiagem…) são representações letais de sua dominação. E não ouse desafiar uma pessoa assim, achando que é só uma questão, por exemplo, de vestir-se bem. Além de buscar recursos para fazer melhor que você, esta pessoa tomará o expediente da humilhação, e te fará sofrer o quanto possível. Eles não gostam de desafios.

Para fortalecerem, andam em bandos. Basta ficar minutos em frente a um prédio comercial, próximo a uma região bancária, ou ir a uma reunião destes neo-executivos metidos à besta (desculpem, escrevi isto, e pretendo baixar o nível até o fim do texto). Estas pessoas que fazem o seu novo BlackBerry® acender incessantemente numa sessão de cinema, ou até mesmo, tocar em meio à uma ópera. O mais interessante, é que eles estão lá não pela obra, mas para marcar território.

A idiotice, babaquice, “n” “ices”, somados à arrogância e ao desprezo pelos outros e pelo mundo, os fazem o dono de p*rra nenhuma. Eles foram criados assim, num mundo onde provar que é bom envolve humilhação, desrespeito, repulsa e um mundo de falsidades.

O pior, é que tudo isto está à venda. Eu costumo dizer que prefiro uma patricinha assumida, que tenha personalidade, aos dissimulados e canalhas sociopatas. Eles te seduzem, compram a sua devoção (que, para piorar, você considera admiração) e os tornam escravos silenciosos. São as piores chibatadas, aquelas que não sangram por fora. Depois de um tempo, depois de usado, você percebe o que aconteceu. Eles estão cada vez maiores, e você, descobre que não é nada. O espelho que você criou, vira dependência. Aí, você olha que as roupas que comprou, eram espelhadas em quem admirava. E tudo o mais. Tenta descobrir o sentido, e mergulha em depressão.

Assim está nossa sociedade. Violenta, estranha. Cheia de babacas com dinheiro, hipócritas no comando, e um exército de compradores que não vêem razão para isso, só o fazem. Lembrem-se de que sociopatas não tem remorso.

Pensei em baixar o nível, mas vou parar. É o suficiente para dizer que o pior dos sociopatas, é o dinheiro. Ele é exatamente como os indivíduos de que falamos, que não preenchem e nem trazem nada para a sociedade, sendo igualmente nocivo ao convívio social.

Mais beijos, menos dinheiro. Amar não custa nada, apesar de hoje ter preço, inclusive, para isso.

Felicidades.

Daniel Pinheiro

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Uma consideração sobre “Por um Mundo Muito Pior (parte I) (por Daniel Pinheiro)”

  1. Excelente texto Daniel, conseguiu expor de um modo culto o sentimento de muitos de nós e que as vezes não falamos ou não expomos nossas opiniões…Ja falamos aqui neste mesmo blog varias vezes, vamos nos abraçar, nos falar ou até mesmo nos cumprimentar pela manhã com um bom dia, porque sera´que é tão dificil cumprimentarmos as pessoas. Primeiro nos mostramos (meu celular novo, meu relogio, meu carrom, etc), depois falamos bom dia, como vai, tudo bem, tenha uma excelente semana…
    enfim…cuidem-se…abraços a todos…

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