Opiniões de uma Manhã de Quarta II (por: Carlos Kiatkoski)

A falta de energia por parte dos jovens em se tratando de política pode muito bem ser ilustrada por acontecimentos recentes. Não estou falando do caso Sarney, e sim a derrocada da União Paranaense de Estudantes Secundaristas (Upes). O braço politizado da juventude paranaense. Em um passado recente esse mesmo grupo mobilizou estudantes de todo o estado para protestar e forçar a saída de um presidente (Fernando Collor de Mello). Porém, hoje essa mesma representação não tem mais sua sede própria uma casa localizada na esquina das ruas Marechal Mallet e Manoel Eufrásio, no Juvevê, em Curitiba, demolida na manhã de sexta-feira dia sete de agosto. Os próprios estudantes admitem que o terreno, que pertencia à Upes, foi vendido em 1995, mas alegam que o negócio foi feito de forma irregular.

Jornais cobriram os acontecimentos, mesmo assim a adesão aos protestos não foi a esperada. Isso só prova que infelizmente o movimento não conta mais com tanta força e os maiores interessados em sua permanência nem mesmo protestaram contra isso, salvo alguns estudantes integrantes da atual gestão que confrontaram a polícia e acabaram detidos.

O maior espanto é que essa mesma União formou diversos políticos de expressão, os quais nem mesmo manifestaram pesar pelo ocorrido. Realmente políticos sofrem com a perda de memória de longo prazo, ou então é menos uma coisa para se preocuparem em suas plataformas políticas.

Quando digo que a juventude é formada por um exército de zumbis, com o caráter moldado por programas superficiais e informações fragmentadas, sempre encontro um “educador” moderno que rebate essa crítica com a desculpa de que a nova geração é mais informada e preparada. Não vejo como isso pode ocorrer. As informações referidas são em sua maioria fragmentadas, o preparo é basicamente técnico operacional, o que nos resta o sem número de estímulos aos quais estão expostos. Ao menos isso eles realmente possuem. Mas não basta receber estímulos se estes não são aplicados de forma produtiva em suas vidas.

Falta a cultura da leitura, não de sites ou blogs, mas sim de Literatura. Um grande professor de língua portuguesa uma vez disse uma frase que até hoje ressoa em meus ouvidos, “no Brasil quem lê gibis pode ser chamado de intelectual” – infelizmente tenho que concordar com ele. Se você perguntar a qualquer jovem o que significa Big Brother, a resposta não deve ser a obra de George Orwell, 1984, e sim o programa de maior audiência da televisão. A leitura de qualidade criaria um senso crítico e com isso uma maior preocupação em relação ao que se passa a sua volta. È utopia minha imaginar que isso venha a ocorrer, mas minha parte eu já faço. Crio minha filha no universo da leitura, quem sabe se todos fizerem o mesmo as coisas mudem de figura.

Carlos Eduardo Kiatkoski

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