Por um Novo Coritiba (Esporte)

POR UM NOVO CORITIBA

Por: Paulo Rink*

PUBLICADO TAMBÉM EM http://colunas.globoesporte.com/luizcarlos/

Recentemente, respondendo a indagações de representantes da torcida coxa, o conselheiro Flávio Kitzig, respondeu de modo peculiar. Primeiro relaciona o fracasso financeiro do clube à torcida, em nenhum momento, o conselheiro relaciona as ações inexistente do marketing coxa, como a captação de recursos, função maior do departamento no clube, ao mesmo fracasso. Chama atenção a parte final da resposta do conselheiro.

“Desde que assumiu, a atual administração tem se empenhado na regularização e consolidação das obrigações do clube; com isso, um pouco de alivio nas pressões, mas com conseqüente maior comprometimento do fluxo de caixa. Daí não restarem alternativas senão buscar recursos do modo mais”saudável” possível, mas também junto a instituições financeiras e investidores, sem, todavia, qualquer comprometimento patrimonial (aliás, só factível com o aval do Conselho Deliberativo).”

Engana-se o conselheiro e comete um contraditório. Há anos, o patrimônio coxa branca vêem sendo comprometido. Sua torcida! Ou existe patrimônio maior num clube?  Não seria a torcida a razão maior da existência deste?

Se não há comprometimento do patrimônio, como se explica as recentes fugas e perdas de jogadores para empresários? Ou seus direitos econômicos não fazem parte do patrimônio do clube?   Fazem! Portanto são perdas sim. Ou ainda, os recentes rumores de negociações de partes dos direitos econômicos de jogadores, com um empresário à qual se deu o sugestivo nome de “fundo de investimentos”.

Com administrações rudimentares, o grande clube, há anos agoniza. Fazem parte num processo administrativo, seja numa empresa ou na vida particular de cada um, o planejamento, a organização, a liderança e a avaliação dos processos, coisas simples que o clube não têm.

Estão no conselho do clube influentes empresários, pessoas bem sucedidas em seus negócios particulares e, supostamente, conhecedores dos conceitos administrativos, porém, no grande clube…

Viktor E. Frankl, psicólogo e fundador do conceito de logoterapia, em seu livro “Em busca de Sentido: um psicólogo no campo de concentração” relata como sobreviveu três anos em Auschwitz, campo de concentração nazista na Polônia e conclui: “o homem é do tamanho de seu pensamento”

A expressão de Viktor aplica-se conceitualmente a todas as recentes diretorias coxa branca. O pensamento míope, pequeno e completamente distorcido de uma realidade administrativa transformou o gigante, posto em nível administrativo e, somente neste nível, num nanico moribundo.

A visão empreendedora destes senhores não consegue suplantar o primeiro planalto paranaense e, suas ações para engrandecimento do clube correspondem ao mesmo tamanho de suas atitudes. Pequenas! Assim, a inércia de diretorias reativas colocou o clube em profundo sono. Desta letargia os sonhos mais constantes são pesadelos para a apaixonada torcida.

Como exemplo maior do descaso e da incapacidade administrativa pode-se citar o marketing coxa. A palavra marketing provém do inglês e trás em seu significado o conceito de mercado em ação ( Market = Mercado; Ing; verbo gerúndio = Ação). Diante disso cabe a pergunta.

Qual a grande ação desse departamento? Lojas mambembes pelo interior? Outdoors provocativos pela cidade? Anúncios de dupla caipira nos uniformes? Essas são as grandes idéias que os responsáveis aprenderam nas universidades? No mundo moderno marketing é uma filosofia estratégica para qualquer organização e um dos responsáveis por alavancar (sic) recursos para a organização.

Um dos conceitos de marketing se relaciona a benchmarking. Essa técnica defende que ninguém é melhor em tudo, sendo assim tudo é “copiável”. O benchmarking pode ser interno e externo. Que tal os senhores do marketing coritibano fazer um cursinho intensivo no Internacional? Principalmente no plano de sócios.

O clube, em Outubro comemora seu centenário. Dar-se-á a impressão que assim como o clube os processos de administração e gerenciamento do mesmo, também completam a mesma idade.

Amparados por um estatuto arcaico, que limita o surgimento de novas lideranças e novos modelos administrativos, como a contratação de executivos para um gerenciamento profissional, tornam o clube refém de uma elite ultrapassada e projetam sombras sobre o futuro.

Os pilares fundamentais para a reestruturação do clube passam necessariamente por:

Primeiro: Um novo, moderno e flexível estatuto, principalmente proporcionando direito a voto de todos os associados, afinal o clube é da torcida e a ela cabe escolher seus representantes e não a um clube fechado de senhores fidalgos com polpudas contas bancárias e sobrenome famoso, esse estatuto ter-se-á que libertar o clube das amarras do passado e possibilitando a contratação de executivos para gerenciamento.

Segundo: Uma análise da real possibilidade do estádio Couto Pereira, estrutural e sua viabilidade econômica.

Terceiro: O CT. Como fonte perene de renda do clube. A revisão metodológica na formação e principalmente nos contratos com atletas da base.

Quarto: A exploração e fortalecimento da marca “Coritiba” através de licenciamentos de produtos.

Quinto: A torcida. Com estruturados planos de sócios, dando acesso as decisões políticas, e possibilitando uma contra partida ao torcedor.

A renovação do estatuto, de idéias e de conceitos gerenciais e morais tornar-se-á salutar para o clube e, assim como a Fênix renasce das cinzas o grande Coritiba também ressurgirá. Com a palavra os senhores do conselho.

*Paulo Cesar Rink é Administrador e ministra Cursos e Palestras na área de Marketing. Sócio proprietário da MM consultoria e pesquisa de marketing.

Uma opinião sobre “Por um Novo Coritiba (Esporte)”

  1. O Futebol aqui do Estado (do Paraná) tem um grande problema: enquanto a briga política das facções que concorrem à presidência continuar se sobrepondo vontade de fazer o melhor p/ os clubes, continuaremos sempre nessa “mesmice”. Deve-se deixar de lado as rusgas e trabalhar em conjunto. Além, é claro, de também contratar profissionais realmente capacitados, e que estes sejam remunerados (para que depois possam ser cobrados dos resultados). Parece que estamos caminhando p/ uma situação onde a única salvação será seguir o modelo inglês (vender o time a um grande empresário) p/ que possamos alçar voôs mais altos… lamentável, pois na minha opinião isso acaba de certa forma “tirando” o clube da propriedade de seus torcedores.

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