Se as águas, do mar da vida…

Sempre que procuro por vida inteligente na internet, acabo no mesmo site (claro que não estou falando só do DebatePronto!)

Deliciem-se com a matéria abaixo, mas também, não deixem de comentar algo.

Aliás, por falar em plantação, não sei porque me lembrei do tal do Bibinho. E por falar em Bibinho, não sei qual motivo me leva a ter a nítida sensação de que tudo isso não vai dar em nada, senão muita gente vai afundar junto. Gente, que inclusive, deve apostar em sua própria reeleição como deputado ou algo maior. Sei lá, não conheço muito da coisa, é só sensação mesmo. Afinal, não sei se é também impressão, mas algo não me cheira bem numa Assembléia que se preocupa mais em afastar a imprensa e votar em coisas muito importante, como “agentes políticos”, etc. Muito bonito tudo isso, e TODO MUNDO CALADO ou esbravejando SEM MOVIMENTAR NADA, ainda mais em ano eleitoral.

Afinal, estamos esperando a nossa vez para fechar tudo e apagar a luz?

Bom, mas, o assunto é outro, e muito bem tratado logo abaixo. Divirtam-se!

Daniel Pinheiro

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Plantações, novelas e boatos marcam sucessão no País

Por: Claudio Leal e Marcela Rocha

Fonte: Terra Magazine (http://terramagazine.terra.com.br)

Nas férias dos congressistas, em Brasília, uma espécie de flor, por vezes confundida com cogumelo, brota nos corredores do Congresso, nas salas dos ministérios e nos jantares noturnos: a “flor do recesso”. Consiste no despetalar de boatos e informações desencontradas que alimentam a mídia enquanto os protagonistas (e suas verdades) vão às praias e paraísos outros.

Neste ano eleitoral, a primeira floração veio com a suposta candidatura do ex-governador mineiro Aécio Neves a vice de José Serra, validada por uma suposta estratégia tucana que traria uma suposta campanha imbatível. Supostamente, os jornais não deram a mínima para os insistentes desmentidos de Aécio: “Chance zero de ser vice de Serra”, declarou o líder mineiro, em entrevista a Terra Magazine (18 de janeiro), confirmando uma reportagem de dezembro :

- Eu reconheço e respeito a posição de alguns companheiros que gostariam de ver uma chapa composta pelo governador Serra e por mim. Mas, da mesma forma que respeito essa posição, é natural que eles respeitem o meu ponto de vista de que essa chapa não é adequada para nós vencermos as eleições.

Mas o leitor, o internauta e o radio-ouvinte ainda se deparam com especulações sobre o destino de Aécio, autodeclarado candidato ao Senado. Serra beija o colega mineiro no lançamento da pré-candidatura, em Brasília. Aécio vice? Das montanhas mineiras, ele estará com Serra. Aécio vice?

Primo de Aécio, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ) entra como desdobramento da novela familiar e política – ou genérico. Versões: se Aécio quiser, ele vai ser vice de Serra; o PP se afasta de Dilma; Dornelles almoça com Dilma; Serra vai se encontrar com o provável aliado. A batalha pelo minuto e 20 segundos do PP no horário eleitoral é fermentada pelas alianças estaduais. Dornelles poderá ser vice de Serra? Sim e não. Nem sempre as novelas se orientam por um final pré-definido.

Cardeais tucanos como João Almeida, líder do PSDB na Câmara, não escondem a ordem da preferência: “O Plano A é Aécio. Se ele não quiser, o Plano B é Tasso Jereissati. O Plano C é Dornelles”.

Tasso e Aécio disseram “não”.

Diante dos torcedores – da imprensa e da política -, o senador Francisco Dornelles assume a filiação à escola Tancredo Neves: “Não há política sem boato, sem lenda, sem história. Quando eles ganham força própria não adianta confirmar nem desmentir”.

E o plano D?

Terra Magazine apresenta algumas das guerras de versões jorradas na imprensa. Flores marcadas para murchar em junho. Outra vez Tancredo: quando o mar bate na rocha, é preciso saber o que é mar e o que é espuma.

FLORES MINEIRAS

O PT de Minas Gerais firmou a imagem de que está enfraquecido. Os jornais narram uma batalha infinda por nada. A legenda fez suas prévias sabendo que o vencedor seria aquele que cederia sua candidatura a Hélio Costa, o candidato do PMDB. Nasceu com a mesma previsibilidade do corte da cabeça de Ciro Gomes (PSB) na sucessão presidencial.

O ex-prefeito de Belo Horizonte e um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff, Fernando Pimentel, venceu o pleito consciente de que seria preciso compor com o PMDB, para não envenenar as articulações nacionais. Em primeiro lugar, a candidatura Dilma. À imprensa, as negociações com o PMDB são iluminadas para não desagradar as bases mineiras. Derrotado nas prévias, o petista Patrus Ananias conhece o jogo decifrado pelo senador Wellington Salgado (PMDB): “Já está tudo acertado. Podem até fazer um charme, mas no final vão entrar na nossa limusine”.

Após a vitória, Pimentel garantiu, em sua primeira conversa com jornalistas, que não iria “abrir mão do palanque único”. Ou seja, já sinalizou o acordo com o PMDB. “Tudo será resolvido com a boa política mineira”, afirmou o ex-prefeito de BH. Mas o baile prossegue: Pimentel será candidato? O PT arriscará a aliança nacional de Dilma? Pimentel vai esperar suas intenções de voto crescerem nas pesquisas?

No segundo colégio eleitoral do País, Fernando Pimentel só causará estranheza se fizer questão de sua candidatura a governador e atrapalhar a campanha de Dilma, da qual é coordenador. Minas não deve estar onde nunca esteve.

FLORES CARIOCAS

O rebolation eleitoral do Rio de Janeiro é protagonizado pelo casamento de Fernando Gabeira (PV) e César Maia (DEM). Como padrinhos, os pré-candidatos à presidência Marina Silva e José Serra. A Zona Sul vê desconforto, mas Gabeira, desde o início, não sentiu nenhum. Mil e uma notas sobre os benefícios da aliança, os conflitos éticos de Gabeira, as restrições de Alfredo Sirkis… Cimentada a aliança, tudo ficou assim como na canção “Cadeira vazia”, de Lupicínio Rodrigues: “Vou te falar de todo coração/ Não te darei carinho nem afeto/ Mas pra te abrigar podes ocupar meu teto”.

Agora surge um novo drama lupiciniano. Que não existe. Gabeira apoia Marina ou Serra? O PV decidiu: ele é somente de Marina. O rebolation das notas públicas não esconde a verdadeira finalidade da candidatura Gabeira: fortalecer a campanha do paulista José Serra no Rio de Janeiro.

Cesar Maia, candidato ao Senado, apoia Serra. Em nenhuma entrevista, Gabeira nega sua preferência pelo ex-governador de São Paulo. Mineiro de Juiz de Fora, ele também elogia Marina. Indicado pelo PSDB do Rio para ocupar a vice, o ex-deputado federal Márcio Fortes peca por expressar a mais verde sinceridade: “Gabeira anda com ele”. Ele é Serra.

FLORES BAIANAS

Dizia o ex-governador Octávio Magabeira (1886-1960) que “o baiano é capaz de gastar 100 para o outro não ganhar 10″. Mas andam exagerando no domicílio eleitoral do Senhor do Bonfim. Para puxar a escada dos concorrentes, as plantações se intensificam no processo de escolha do candidato ao Senado, na chapa do governador Jaques Wagner (PT).

Depois da desistência do ex-afilhado de ACM, o senador César Borges (PR), Wagner pediu ao PT para debater o nome mais viável. De cedo, o ex-ministro da Defesa Waldir Pires demonstrou o desejo de concorrer a uma vaga do Senado. Esbarrou no petista ungido pelo governador e pela bancada na Assembleia Legislativa, o ex-secretário de Planejamento Walter Pinheiro.

Em 2008, a deputada federal Lídice da Mata (PSB) abandonou sua candidatura à prefeitura de Salvador para apoiar Pinheiro, que estava mal nas pesquisas (perderia para o PMDB). Como retribuição, ele se comprometeu a não entrar no vespeiro do Senado, em 2010. Compromisso firmado no gabinete de Wagner. Agora, Pinheiro entrou na disputa. Quer a preferência. Lídice, até o momento garantida na segunda vaga do Senado, pode dividir o apoio da militância petista com um companheiro de chapa eleitoralmente menos competitivo.

Outro concorrente de Pinheiro numa provável disputa interna pela candidatura a prefeito de Salvador em 2012, Nelson Pelegrino sentiu-se livre para submeter seu nome ao partido na sucessão senatorial. Quer o passe daqui a dois anos. Na instância definitiva, quem decide a escalação é o governador, como esclarece o presidente do PT baiano, Jonas Paulo.

Porém, inúmeras flores nascem no asfalto. E na imprensa. Nas colunas de notinhas, Waldir é o preferido de Wagner. Maldade. Os dois lados riem fundo. Pois há um mês circulava que Wagner não queria ouvir falar do nome de Waldir. Ambos sustentam conversas respeitosas, mas, sem enganos, o governador não esconde a simpatia por Pinheiro. O que não o impede de repetir, adiante, o mineiro Magalhães Pinto: a política é nuvem.

O PMDB, liderado no Estado pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima, é apontado por petistas como o ervanário das notícias desencontradas, para tumultuar as decisões do rival. Geddel não quer a candidatura de Waldir, ao lado de Lídice, porque arriscaria ainda mais a campanha do senador César Borges (PR) – o qual, segundo o PSDB, já perde nas pesquisas para o ex-aliado ACM Júnior (DEM).

COGUMELOS GAÚCHOS

O PSDB anuncia: o PP gaúcho vai apoiar a reeleição de Yeda Crusius e a candidatura José Serra. Crescem as chances de Dornelles ser vice de Serra – os jornalistas se antecipam. No mesmo dia, o PP desmente: sem aliança proporcional, não há acordo. “Se dependesse de mim, eu recomendaria que fizesse (a aliança)”, declarou Serra, em visita ao Rio Grande do Sul. E, se dependesse de Dilma, o PP se aliaria ao PT, apesar do veto da executiva pepista.

No eterno retorno brasileiro, Paulo Maluf janta em 24 de abril com o presidente do PSDB, Sérgio Guerra. Em honra da aliança Serra-Dornelles. Uai, o Maluf? Como especialista em passado, ele disse à Folha de S. Paulo: “Se eu pudesse ser um conselheiro, eu diria (a Serra): ‘olha, pensa de maneira séria’. Porque ele (Dornelles) adiciona tempo (de TV) e adiciona voto. E tem mais: é um candidato com um passado nota dez.”

Até parece conversa de Maluf.

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