Os Brics e a Crise

Nunca duvide do poder daqueles que “correm por fora”. Falando sério, se não tivéssemos caído em meio ao “alarme mundial” estaríamos em situação bem melhor. Está na hora de o brasileiro acreditar em si mesmo e em seu país.

Daniel Pinheiro

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Brics se recuperam antes de países ricos, diz ‘Economist’

Os grandes países emergentes, mais precisamente os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), já demontram sinais de recuperação econômica enquanto os países ricos permanecem em recessão, afirma uma reportagem publicada na revista britânica Economist, que chega às bancas nesta sexta-feira.

A reportagem analisa a cúpula dos Brics, realizada no início da semana em Iekaterimburgo, na Rússia. Para a revista, o evento reflete a crescente autoconfiança desses países.

“Os maiores mercados emergentes estão se recuperando rapidamente e começando a acreditar que a recessão pode marcar mais um momento da mudança global que vê o Ocidente perdendo poder econômico”, diz o texto.

A revista lembra que a China e a Índia tiveram desempenho econômico melhor do que o esperado no primeiro trimestre. No Brasil, apesar da pequena queda no período, o crescimento é maior do que a média da América Latina “e a maioria dos economistas acredita que o crescimento vai retornar aos níveis de antes da crise já no ano que vem”, diz a Economist.

A Rússia, cuja economia encolheu 9,5% no primeiro trimestre, derrubada pela queda no preço do petróleo, seria a única exceção do grupo.

Descolamento
Para a Economist, a teoria do “descolamento” -segundo a qual, por crescer a um ritmo diferente, os países emergentes estariam mais protegidos da crise financeira global que as grandes economias- pode, afinal, ter sentido.

“Quando este estudo (que explicava o descolamento) veio à tona em meados de 2008, a queda na economia mundial pareceu torná-lo instantaneamente obsoleto. Mas a enormidade do desaquecimento pode, temporariamente, ter escondido tendências mais profundas que agora voltam a se mostrar, passado o choque inicial”, afirma a análise.

“Quase 60% de todo o crescimento econômico mundial entre 2000 e 2008 ocorreu nos países em desenvolvimento; metade só nos países do Bric”, afirma a Economist.

Se o padrão de crescimento se confirmar, diz a reportagem, é uma boa notícia, pois significaria que quase metade da economia mundial estaria se recuperando. Os benefícios da recuperação dos Brics também seriam sentidos por outros países em desenvolvimento.

Mas, diz a revista, a recuperação de China, Índia e Brasil não pode compensar o estado medonho do resto da economia mundial.

“Enquanto os três gigantes se recuperam, os países em desenvolvimento, como um todo, são vistos em recessão. Os gigantes parecem estar se descolando não apenas do Ocidente, mas também de seus irmãos emergentes menores.”

A explicação, segundo a Economist, é que os países do grupo dependem menos das exportações do que outros emergentes. No caso brasileiro, as exportações correspondem a menos de 15% do PIB.

“Os Brics foram cautelosos em liberar seus sistemas financeiros, então, foram menos afetados pelo ataque cardíaco financeiro ocidental do que a Europa do Leste, por exemplo. E suas recuperações foram impulsionadas pelos governos, que relaxaram dramaticamente sua política monetária e aumentaram os gastos estatais.”

Outra explicação para o sucesso dos Brics em meio aos emergentes seria seu tamanho, já que esses países podem recorrer ao seu mercado doméstico na falta de um mercado estrangeiro.

Inchaço do setor público

Um grande desafio, segundo o texto, seria garantir que os planos de estímulo dos governos se espalhem por todos os setores.

Se os Brics não puderem usar as exportações para escapar da recessão, a expansão do governo é a principal alternativa para a queda atualmente enfrentada por outros grandes exportadores, diz a revista.

“A experiência no Ocidente foi de que o setor público se expandiu incansavelmente até chegar a 40% ou 50% do PIB.”

Mas, para os autores, esse tema ainda é um ponto de interrogação. “Não está claro até que ponto, a longo prazo, os Brics serão afetados pelo aumento do governo e de empresas estatais. Mas este aumento provavelmente é inevitável.”

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