Publicado por: debatepronto | fevereiro 1 2010

Falar o que se Pensa

Falar o que se pensa.

É uma qualidade. Sem dúvida, falar o que se pensa é uma das maiores qualidades que um ser humano pode ter, mas também acredito ser, para muitos, o pior de seus defeitos. Saber equilibrar as palavras, sem medir o que se diz, cair numa arrogância desnecessária, é uma arte. Porém, conseguir a medida certa, dosar o quão é suficiente, é arriscar não falar o que se pensa.

É, portanto, também um desafio. Conheci pouquíssimas pessoas com habilidade suficiente para fazê-lo. Menor ainda é a quantidade de pessoas que conheci que foram capazes de realmente falar o que pensam. E, se é um desafio, é uma disputa direta com nossos medos. O medo de magoar, de ser sincero de uma forma extremada.

Utilizo o exemplo abaixo, que recebi num e-mail enviado pelo meu amigo Zappe, apenas para ilustrar o que acho que seja “falar o que se pensa”. Independente do assunto, do que está por trás mesmo, ou ainda, independente se é ou não mais um destes e-mails que circulam pela internet que não sabemos se é verdadeiro ou não, o fato é que, uma situação destas, real ou fictícia, é ilustrativa do que é “falar o que pensa”… e nos faz pensar no que falar, pois até onde poderia chegar uma resposta em forma de ódio ou revolta.

Tomo estas palavras para agradecer, cada vez mais, a você que lê e a você que colabora com o nosso blog. Pois este espaço serve exatamente para FALAR O QUE SE PENSA.

Sejamos felizes!

Daniel Pinheiro

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Kevin Rudd, Primeiro Ministro da Austrália

Aos muçulmanos que querem viver sob a lei Islâmica da Sharia foi dito, na terça feira passada, que providenciem para ir embora da Austrália, cujo governo pôs em prática uma campanha contra os radicais, em um esforço para evitar potenciais ataques terroristas.

Rudd também despertou a fúria de alguns muçulmanos Australianos quando declarou que ele deu todo seu apoio às agências de contra-inteligência australianas para que mantenham sob observação e vigilância as mesquitas existentes no País.

A seguir estão relatadas algumas de suas palavras:

“São os imigrantes, e não os Australianos, os que devem adaptar-se. É pegar ou largar. Estou farto de que esta Nação tenha que se preocupar em saber se estamos ofendendo outras culturas ou outros indivíduos. Desde os ataques terroristas em Bali, está havendo um aumento de patriotismo na maioria dos Australianos”.

“Nossa cultura foi se desenvolvendo ao longo de dois séculos de lutas, de atribulações e de vitórias por parte de milhões de homens e mulheres que buscavam a liberdade”.

“Aqui falamos principalmente Inglês, não libanês, ou árabe, chinês, espanhol, japonês, russo ou qualquer outro idioma. De modo que, se você quer participar de nossa sociedade, aprenda nosso idioma”.

“A maioria dos Australianos crê em Deus. Esta não é uma posição cristã, política ou da extrema direita. Este é um fato, porque homens e mulheres cristãos, de princípios cristãos, fundaram esta Nação. Isto é historicamente comprovável. E é sem dúvida apropriado que isto apareça nas paredes de nossas escolas. Se Deus ofende você, sugiro que você resolva viver em outra parte do mundo, porque aqui Deus é parte de nossa cultura”.

“Nós aceitamos tuas crenças, e sem perguntar porque. Tudo o que pedimos é que você aceite as nossas, e viva em harmonia, e desfrute em paz conosco”.

“Este é nosso País, é nossa Pátria, e estes são os nossos hábitos e nosso estilo de vida, e permitiremos que vocês desfrutem do que é nosso, mas isto quando pararem de se queixar, de choramingar e de protestar contra nossa bandeira, contra nossa língua, contra nosso compromisso nacionalista, contra nossas crenças cristãs ou contra nosso estilo de vida. Convidamos você a tirar proveito de outra de nossas grandes liberdades Australianas, que é “O DIREITO DE IR EMBORA”. Se você não está contente aqui, então VÁ EMBORA. Não fomos nós a obrigar você a vir aqui; foi você que pediu para emigrar para cá. De modo que está na hora de aceitar o País que acolheu você”.

Quem sabe se, enviando este texto de uns para os outros entre nós, chegaremos a encontrar a coragem para começar a dizer as mesmas verdades.

Publicado por: debatepronto | fevereiro 1 2010

Oportunismo gerando mais porcaria na televisão

Já escrevi aqui mais de uma vez sobre o caso desta menina, naquele momento disse que não era motivo para a faculdade fazer o que fez. Involuntariamente, ou voluntariamente, a faculdade teve publicidade gratuita e a moça conseguiu 15 minutos de fama. 15 minutos que estão se estendendo, ela conseguiu promover-se e está ajudando a difundir a mediocridade na televisão que a cada dia que passa está pior.

Olhem só o que vai acontecer agora. Já sei o horário que vai passar, para bloquear o canal.

Alison Endler

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Record vai arranjar namorado para Geisy

Por Redação Yahoo! Brasil

Os alunos da Uniban demonstraram que não são muito a fim de Geisy Arruda, mas a estudante de turismo tem certeza que pretendentes não vão faltar por aí, principalmente depois de toda a fama adquirida após o polêmico caso do vestidinho vermelho.

Geisy será a estrela do quadro “Vai Dar Namoro”, do programa “O Melhor do Brasil”, da TV Record. A informação é do Jornal da Tarde.

As inscrições para os interessados na loira mais comentada de 2009 serão abertas em fevereiro. O programa será como uma gincana, com eliminações a cada sábado. Os finalistas passarão por provas de afinidade, para demonstrarem que têm mesmo tudo a ver com Geisy e podem fazê-la feliz.

Geisy foi hostilizada por alunos da Uniban em outubro – ela precisou ser retirada da Universidade em São Bernardo do Campo (SP) com escolta policial. A Uniban chegou a responsabilizar a aluna pelo ocorrido, com o argumento de que ela não frequentava as aulas vestida de maneira apropriada.

O caso foi parar na Justiça, mas Geisy soube tirar proveito da fama conquistada de forma involuntária. Ela tirou cinco litros de gordura do corpo, colocou uma prótese de 425ml de silicone nos seios e vai desfilar pela escola Porto da Pedra, no Carnaval do Rio de Janeiro. Ela estará caracterizada como “Rainha Elizabeth I”, a “rainha virgem”, contestada por ser solteira quando foi coroada, no século 19. A quem possa interessar: ela já admitiu em entrevistas que não é mais virgem.

Publicado por: debatepronto | janeiro 28 2010

Dívida Pública na Privada

Bem voltando a 2010. Olha o que achei escondidinho. Esse é o nosso guia ” El JACK”.

Paulo Rink

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Lula dobra dívida pública do Brasil Presidente repetirá antecessor e deixará herança maldita para próximo governante

Correio Braziliense

Deco Bancillon

Vicente Nunes

Publicação: 27/01/2010 09:04

Assim que tomou posse em janeiro de 2003, o presidente Lula celebrizou a expressão “herança maldita” numa clara referência ao tamanho da dívida pública (R$ 892,94 bilhões) que recebeu do governo Fernando Henrique Cardoso. Pois, a se confirmarem as previsões do Tesouro Nacional de que a dívida interna federal pode fechar 2010 em até R$ 1,73 trilhão, Lula repetirá a maldição do antecessor. Entregará, muito provavelmente a José Serra (PSDB) ou a Dilma Rousseff (PT), os dois candidatos à sucessão presidencial mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de votos, um débito quase duas vezes maior do que o que recebeu.

“A dívida pública será, sim, uma herança muito ruim a ser herdada pelo próximo presidente da República. Ainda que, a curto prazo, não se dê tanta importância ao assunto, esse endividamento comprometerá a capacidade futura de crescimento do país”, disse o economista-chefe do Banco WestLB, Roberto Padovani. O que está chamando a atenção do mercado é a velocidade com que os débitos vêm crescendo. Em 2009, para um Produto Interno Bruto (PIB) com variação zero, a dívida federal aumentou 7,16%, atingindo o recorde de R$ 1,49 trilhão. Neste ano, conforme o Programa Anual de Financiamento (PAF), a expansão variará entre 6,9% (R$ 1,6 trilhão) e 16% (R$ 1,73 trilhão).

Na avaliação da economista Vitória Saddi, professora do Véris Instituto, é inaceitável que a dívida pública continue aumentando acima do PIB. “Essa velocidade é preocupante, pois pode tornar o endividamento insustentável”, afirmou. A seu ver, o mercado só não está questionando o “movimento perigoso” porque, nos países mais ricos, especialmente os Estados Unidos, a dívida pública explodiu devido aos programas de socorro à economia e a bancos atingidos pela mais grave crise mundial em 80 anos. “Por incrível que pareça, o Brasil está em uma situação melhor. Mas que não é aceitável”, acrescentou.

Para Vitória, também é incompreensível que a dívida federal tenha dado um salto de R$ 100 bilhões no ano passado por causa do processo de capitalização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Em outros países, o socorro aos bancos foi uma exceção, por causa da crise. Mas, no Brasil, parece que está virando regra”, ressaltou. Além do BNDES, o Tesouro Nacional injetou dinheiro na Caixa Econômica Federal e botará recursos no Banco do Brasil. Também estão prometidos pelo menos mais R$ 80 bilhões ao BNDES, que serão liberados ao longo de 2010.

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, rebateu as críticas dos economistas e garantiu que o governo não deixará qualquer herança maldita ao sucessor do presidente Lula. “Com certeza, vamos entregar um passivo mobiliário (divida em títulos) melhor do que encontramos no primeiro mandato, em 2003. “As condições que projetamos para o final de 2010 serão infinitamente melhores do que as do fim de 2002”, frisou. Ele ressaltou ainda que 2009 foi um ano “muito bom”, com resultados superiores às expectativas mais otimistas do governo.

Quanto ao reforço de capital do BNDES, Augustin assinalou que a operação teve como objetivo estimular setores-chave da economia, como o de máquinas e equipamentos (bens de capital), vitais para o aumento da produção. “A retomada da atividade econômica está umbilicalmente ligada ao endividamento do governo”, destacou. No entender do secretário, para que a previsão de crescimento do PIB de 6% em 2010 se confirme será preciso que o banco federal dê sustentação aos planos de investimentos da indústria. “É preciso continuar a capitalizar o BNDES, para que ele continue a fomentar o desenvolvimento da indústria”, emendou.

E EU COM ISSO

O endividamento crônico do setor público é um grande entrave para o crescimento. Para conseguir quitar os juros da dívida, o governo será obrigado a manter a carga tributária elevada. Ou seja, ao continuarem pagando pesados impostos, as empresas ficarão com menos recursos em caixa para tocar importantes investimentos, que sempre resultam em mais empregos. O problema fica maior porque o Estado também não terá condições de ampliar os desembolsos para a melhoria da educação, saúde, segurança pública e transportes. Mesmo que continue sugando o caixa das empresas e o salário dos trabalhadores com tributos exagerados, terá que destinar mais e mais recursos para os seus credores — estima-se que a conta de juros passará dos R$ 160 bilhões em 2010, quase 14 vezes mais do que o consumido pelo Bolsa Família, que atende mais de 11 milhões de famílias. Mas não é só: com a dívida crescente e a dependência do mercado, o governo terá que aceitar pagar juros cada vez maiores aos compradores de seus títulos. Isso significa dizer que haverá limites para que o Banco Central reduza a taxa básica (Selic). E, com a Selic emperrada, o crédito continuará caro.

Publicado por: debatepronto | janeiro 27 2010

Preço e Qualidade: altos ou baixos? (Consumo)

Quem vai arriscar? O pessoal do DebatePronto se dispõe a dar uma olhadinha no carro, se convidado pelo fabricante. Mas, detalhe: só falamos o que acharmos!!!

A propósito, parabéns ao pessoal que montou a exposição do Smart em Jurerê Internacional. Show de bola!!!

Daniel Pinheiro

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Importador reduz preço e M100 pode bater Mille como mais barato

Fonte: Invertia / Redação Terra

A importadora Effa Motors anunciou nesta quarta-feira a chegada às concessionárias da versão 2010 do monovolume compacto, o chinês M100. Segundo a empresa, o modelo terá queda de 4,1% no preço de tabela, passando para R$ 23.480, ante os R$ 24.500 cobrados pela versão 2009. Se o valor for o mesmo praticado no mercado, o carro chinês volta a ser o mais barato do País, posto ocupado pelo Uno Mille, que em dezembro era negociado a R$ 23.721, segundo a Fipe.

De acordo com a Effa, o modelo mantém os itens de série da versão anterior, vindo da fábrica já com ar-condicionado; vidros com acionamento elétrico na dianteira; faróis de milha e de neblina e travamento central das portas com controle remoto. O carro também continua sendo equipado com o motor 1.0 l com tecnologia Suzuki.

O M100 tem dimensões externas de 3,56 m de comprimento, 1,6 m de largura e 1,67 m de altura. O veículo conta com porta-malas com capacidade para 320 l, que pode ser expandida a 904 l caso o banco traseiro seja rebatido.

A redução no preço, de acordo com a importadora, foi possível com o aumento do volume de importação. Em 2009, a Effa informou ter vendido 350 unidades do M100 e a previsão para este ano é que sejam comercializados 1,2 mil.

Além do monovolume, que é fabricado pela chinesa Changhe, a Effa também traz para o Pais os comerciais leves Effa Hafei Van, Effa Hafei Furgão e Effa Hafei Picape. A empresa informou que se prepara para iniciar a montagem destes em Manaus (AM), além de estar terminando uma linha de montagem no Uruguai para trazer ao Brasil veículos da marca chinesa Lifan.

A Effa atualmente conta com 42 revendas nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Bahia.

Publicado por: debatepronto | janeiro 25 2010

Concurso Petrobras (Serviço)

Publicado por: debatepronto | janeiro 25 2010

Carta do Zé, Agricultor

Apesar do texto ser extenso, vale a pena ler.

Infelizmente é verdade, depois não sabemos porque tanta gente da sai do interior e vai para as capitais, nem porque estamos sofrendo com tempestades que devastam cidades, bom deixa pra lá…LEIAM e repassem quem sabe conseguimos mudar alguma coisa, ou melhor, vamos fazer a nossa parte.

Daniel, se quiser fique a vontade para publicar no blog..

Abraços.

Jefferson Anibal

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Fiquei à vontade, e publiquei.

Daniel Pinheiro

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Carta do Zé Agricultor, para Luis, da cidade

Luis, quanto tempo!

Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão por isso o sapato sujava.

Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo… hehehe, era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já era mais de meia-noite.

De madrugada pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra né Luis?

Pois é. Estou pensando em mudar para viver ai na cidade que nem vocês Não que seja ruim o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro… Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos ai da cidade.

To vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente.

Veja só. O sítio de pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode fincar os postes por dentro uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança.

Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou deve ser verdade, né Luis?

Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né…) contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou. Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana ai não param de fazer leite. Ô, bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?

Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca, e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encumpridar uma cama, só comprando outra né Luis? O candeeiro eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.

Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele. Bom Luis, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelo fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele pra delegacia, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem fiscal do trabalho para acudi-lo.

Depois que o Juca saiu eu e Marina (lembra dela, né? casei) tiramos o leite às 5 e meia, ai eu levo o leite de carroça até a beira da estrada onde o carro da cooperativa pega todo dia,isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.

Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros . Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pra fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não ai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade. Ô Luis, ai quando vocês sujam o rio também pagam multa grande né? Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios aí da cidade. A pocilga já acabou, as vacas não podem chegar perto. Só que alguma coisa tá errada, quando vou na capital nem vejo mata ciliar, nem rio limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando pra todo lado.

Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luis? Quem será? Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora! Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.

Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no Ibama da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vim fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo ai eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foi os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.

Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia… Vou para a cidade, ai tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.

Eu vou morar ai com vocês, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Ai é bom que vocês e só abrir a geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem planta, nem cuida de galinha, nem porco, nem vaca é só abri a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.

Até mais Luis.

Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta em papel reciclado pois não existe por aqui, mas aguarde até eu vender o sítio.

*(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano).

Autor Desconhecido

Publicado por: debatepronto | janeiro 25 2010

O Imbróglio do Garoto Sean

Este assunto é tratado na página 2 jornal O Estado do Paraná, edição de, 06.01.2010. Confirma em todas as linhas as informações abaixo. Uma prova hábil como a opinião pública pode ser manipulada, com o apoio inclusive da mídia.

Repasso com o comentário recebido. Vejam como são tratadas as leis (inclusive as internacionais) por este (des)governo que nos infelicita como povo e Nação.

Raul Avelino

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Prezados Internautas ,

Pelas leis do direito, inclusive internacional, cabe aos pais a guarda dos filhos a menos que a percam por comportamento prejudicial ou perturbador. Contudo, há cinco anos o pai do garoto Sean luta pela sua guarda e só agora obteve resultados.

Por que toda esta resistência ao cumprimento das Leis Vigentes? O que há por trás disto e por que durante tanto tempo o pai não obteve o usufruto do direito que a lei lhe concede?

Comparem com o caso do garoto cubano, cuja mãe tinha falecido, e que a Justiça dos EUA concedeu ao pai o direito de tê-lo de volta, repatriado para Cuba, apesar dos protestos dos parentes exilados, que disputavam a guarda do menino.

Vejamos uma explicação plausível, que nunca havia sido divulgada, levantada a partir de um artigo inflamado de Celso Lugarelli.

“Não sou repórter e por isto mesmo acho muito estranho (na verdade nem tanto) que não se divulgue que o menino Sean é sobrinho-neto da ex-guerrilheira Maria Augusta Carneiro Ribeiro, a Guta, do MR8 e amiga intima do Zé Dirceu e do Lula. Acho que esta informação esclareceria mais um pouco o motivo de todo este carnaval em torno do repatriamento do menino…”

Seguindo a indicação, fui ao blogue do Zé Dirceu e encontrei o que ele escreveu quando da morte de Guta, no último mês de maio:

“Infelizmente, Maria Augusta Carneiro Ribeiro, a Guta, não resistiu às conseqüências do acidente que sofreu há algumas semanas. Guardarei dela a imagem de combatente e de resistente – marcas que a acompanharam sempre…

“…Guta, junto com companheiros seus do MR-8 e da Dissidência Guanabara – Vladimir Palmeira e Ricardo Vilas Boas – fez parte do grupo dos 15 presos políticos (entre os quais, eu) trocados pelo embaixador americano Charles Burke Elbrick em 1969.

“Nos últimos anos, ela trabalhou como ouvidora da Petrobras. Sua última luta (…) foi em defesa do seu sobrinho neto, Sean…

“A permanência da criança no Brasil, com a família de sua mãe – Bruna Bianchi Carneiro Ribeiro, já falecida – foi a última grande causa na qual Guta se engajou. Essa é uma causa, portanto, que podemos e devemos abraçar como uma homenagem a Guta.”

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A mudança desta situação e a obediência aos termos das Leis Internacional só ocorreram em parte devido ao falecimento da ex guerrilheira e à pressão do governo americano, cimentada pela decisão de um Senador de embargar um projeto de Lei que manteria, durante 2010, uma isenção tarifária para exportações brasileiras. Se a lei não fosse aprovada pelo Congresso Americano haveria um prejuízo de US$ 3 bilhões para os exportadores brasileiros. Só a soma destes dois fatos permitiu que as Leis Vigentes fossem respeitadas e o garoto entregue ao seu pai que, com justa razão, pleiteia uma indenização pelos gastos com esta extenuante batalha.

Publicado por: debatepronto | janeiro 25 2010

Pecadilhos dele, “O Cara” II – A resposta!!!

DEU NA FOLHA: PECADILHOS DELE “O CARA” II, A RESPOSTA

Amigos Leitores e ELEITORES,

A seguir o segundo artigo do Cesar Benjamim no qual ele apresenta um justo esclarecimento em resposta aos ataques que sofreu por conta da autoria do artigo anterior “Os Filhos do Brasil”.

Mais uma vez trago-lhes a título de informação e para que tirem suas próprias conclusões.

Um grande abraço a todos e boa leitura,

Raul Avelino.

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DEIXO de lado os insultos e as versões fantasiosas sobre os “verdadeiros motivos” do meu artigo “Os Filhos do Brasil”. Creio, porém, que devo esclarecer uma indagação legítima: “por quê?”, ou, em forma um pouco expandida, “por que agora?”. A rigor, a resposta já está no artigo, mas de forma concisa. Eu a reitero: o motivo é o filme, o contexto que o cerca e o que ele sinaliza.

Há meses a Presidência da República acompanha e participa da produção desse filme, financiado por grandes empresas que mantêm contratos com o governo federal.

Antes de finalizado, ele foi analisado por especialistas em marketing, que propuseram ajustes para torná-lo mais emotivo.O timing do lançamento foi calculado para que ele gire pelo Brasil durante o ano eleitoral.

Recursos oriundos do imposto sindical -ou seja, recolhidos por imposição do Estado- estão sendo mobilizados para comprar e distribuir gratuitamente milhares de ingressos. Reativam-se salas pelo interior do país e fala-se na montagem de cines volantes para percorrerem localidades que não têm esses espaços. O objetivo é que o filme seja visto por cerca de 5 milhões de pessoas, principalmente pobres.Como se fosse pouco, prepara-se uma minissérie com o mesmo título para ser exibida em 2010 pela nossa maior rede de televisão que, como as demais, também recebe publicidade oficial. Desconheço que uma operação desse tipo e dessa abrangência tenha sido feita em qualquer época, em qualquer país, por qualquer governante. Ela sinaliza um salto de qualidade em um perigoso processo em curso: a concentração pessoal do poder, a calculada construção do culto à personalidade e a degradação da política em mitologia e espetáculo. Em outros contextos históricos isso deu em fascismo.

O presidente Lula sabe o que faz. Mais de uma vez declarou como ficou impressionado com o belo “Cinema Paradiso”, de Giuseppe Tornatore, que narra o impacto dos primeiros filmes na mente de uma criança. “O Filho do Brasil” será a primeira -e talvez a única- oportunidade de milhões de pessoas irem a um cinema. Elas não esquecerão.Em quase oito anos de governo, o loteamento de cargos enfraqueceu o Estado. A generalização do fisiologismo demoliu o Congresso Nacional. Não existem mais partidos. A política ficou diminuída, alienada dos grandes temas nacionais.

Nesse ambiente, o presidente determinou sozinho a candidata que deverá sucedê-lo, escolhendo uma pessoa que, se eleita, será porque ele quis. Intervém na sucessão em cada Estado, indicando, abençoando e vetando. Tudo isso porque é popular. Precisa, agora, do filme.Embalado pelas pré-estreias, anunciou que “não há mais formadores de opinião no Brasil”. Compreendi que, doravante, ele reserva para si, com exclusividade, esse papel. Os generais não ambicionaram tanto poder. A acusação mais branda que tenho recebido é a de que mudei de lado. Porém os que me acusam estão preparando uma campanha milionária para o ano que vem, baseada em cabos eleitorais remunerados e financiada por grandes grupos econômicos. Em quase todos os Estados, estarão juntos com os esquemas mais retrógrados da política brasileira.

E o conteúdo de sua pregação, como o filme mostra, estará centrado no endeusamento de um líder.Não há nada de emancipatório nisso. Perpetuar-se no poder tornou-se mais importante do que construir uma nação. Quem, afinal, mudou de lado?

Aos que viram no texto uma agressão, peço desculpas. Nunca tive essa intenção. Meu artigo trata, antes de tudo, de relações humanas e é, antes de tudo, uma denúncia do círculo vicioso da extrema pobreza e da violência que oprime um sem-número de filhos do Brasil.

Pois o Brasil não tem só um filho.Reitero: o que escrevi está além da política. Recuso-me a pensar o nosso país enquadrado pela lógica da disputa eleitoral entre PT e PSDB. Mas, se quiserem privilegiar uma leitura política, que também é legítima, vejam o texto como um alerta contra a banalização do culto à personalidade com os instrumentos de poder da República. O imaginário nacional não pode ser sequestrado por ninguém, muito menos por um governante.Alguns amigos disseram-me que, com o artigo, cometi um ato de imolação. Se isso for verdadeiro, terá sido por uma boa causa.

César Benjamim

Publicado por: debatepronto | janeiro 25 2010

Pecadilhos dele, “O Cara”

Amigos Leitores,

O artigo a seguir rendeu uma série de críticas ao autor que se defende em um segundo artigo.

Eu acho que o nosso líder apedeuta é bem capaz de ter feito o que o autor narra e mais ainda acho que é bem o seu estilo alardear o feito como se fosse digno de alguma glória.

A título de informação deixo-os o texto para que cada um tire suas próprias conclusões.

Um grande abraço a todos e boa leitura.

Raul Avelino.

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César Benjamin: Os filhos do Brasil

Atualizado em 27 de novembro de 2009 às 18:40 | Publicado em 27 de novembro de 2009 às 18:39

Os filhos do Brasil

César Benjamin, Folha de S. Paulo, 27/11/09

ANÁLISE

CÉSAR BENJAMIN

ESPECIAL PARA A FOLHA

A PRISÃO na Polícia do Exército da Vila Militar, em setembro de 1971, era especialmente ruim: eu ficava nu em uma cela tão pequena que só conseguia me recostar no chão de ladrilhos usando a diagonal. A cela era nua também, sem nada, a menos de um buraco no chão que os militares chamavam de “boi”; a única água disponível era a da descarga do “boi”. Permanecia em pé durante as noites, em inúteis tentativas de espantar o frio. Comia com as mãos. Tinha 17 anos de idade.

Um dia a equipe de plantão abriu a porta de bom humor. Conduziram-me por dois corredores e colocaram-me em uma cela maior onde estavam três criminosos comuns, Caveirinha, Português e Nelson, incentivados ali mesmo a me usar como bem entendessem. Os três, porém, foram gentis e solidários comigo. Ofereceram-me logo um lençol, com o qual me cobri, passando a usá-lo nos dias seguintes como uma toga troncha de senador romano.

Oriundos de São Paulo, Caveirinha e Português disseram-me que “estavam pedidos” pelo delegado Sérgio Fleury, que provavelmente iria matá-los. Nelson, um mulato escuro, passava o tempo cantando Beatles, fingindo que sabia inglês e pedindo nossa opinião sobre suas caprichadas interpretações. Repetia uma ideia, pensando alto: “O Brasil não dá mais. Aqui só tem gente esperta. Quando sair dessa, vou para o Senegal. Vou ser rei do Senegal”.

Voltei para a solitária alguns dias depois. Ainda não sabia que começava então um longo período que me levou ao limite.

Vegetei em silêncio, sem contato humano, vendo só quatro paredes -“sobrevivendo a mim mesmo como um fósforo frio”, para lembrar Fernando Pessoa- durante três anos e meio, em diferentes quartéis, sem saber o que acontecia fora das celas. Até que, num fim de tarde, abriram a porta e colocaram-me em um camburão. Eu estava sendo transferido para fora da Vila Militar. A caçamba do carro era dividida ao meio por uma chapa de ferro, de modo que duas pessoas podiam ser conduzidas sem que conseguissem se ver. A vedação, porém, não era completa. Por uma fresta de alguns centímetros, no canto inferior à minha direita, apareceram dedos que, pelo tato, percebi serem femininos.

Fiquei muito perturbado (preso vive de coisas pequenas). Há anos eu não via, muito menos tocava, uma mulher. Fui desembarcado em um dos presídios do complexo penitenciário de Bangu, para presos comuns, e colocado na galeria F, “de alta periculosia”, como se dizia por lá. Havia 30 a 40 homens, sem superlotação, e três eram travestis, a Monique, a Neguinha e a Eva. Revivi o pesadelo de sofrer uma curra, mas, mais uma vez, nada ocorreu. Era Carnaval, e a direção do presídio, excepcionalmente, permitira a entrada de uma televisão para que os detentos pudessem assistir ao desfile.

Estavam todos ocupados, torcendo por suas escolas. Pude então, nessa noite, ter uma longa conversa com as lideranças do novo lugar: Sapo Lee, Sabichão, Neguinho Dois, Formigão, Ari dos Macacos (ou Ari Navalhada, por causa de uma imensa cicatriz que trazia no rosto) e Chinês. Quando o dia amanheceu éramos quase amigos, o que não impediu que, durante algum tempo, eu fosse submetido à tradicional série de “provas de fogo”, situações armadas para testar a firmeza de cada novato.

Quando fui rebatizado, estava aceito. Passei a ser o Devagar. Aos poucos, aprendi a “língua de congo”, o dialeto que os presos usam entre si para não serem entendidos pelos estranhos ao grupo.

Com a entrada de um novo diretor, mais liberal, consegui reativar as salas de aula do presídio para turmas de primeiro e de segundo grau. Além de dezenas de presos, de todas as galerias, guardas penitenciários e até o chefe de segurança se inscreveram para tentar um diploma do supletivo. Era o que eu faria, também: clandestino desde os 14 anos, preso desde os 17, já estava com 22 e não tinha o segundo grau. Tornei-me o professor de todas as matérias, mas faria as provas junto com eles.

Passei assim a maior parte dos quase dois anos que fiquei em Bangu. Nos intervalos das aulas, traduzia livros para mim mesmo, para aprender línguas, e escrevia petições para advogados dos presos ou cartas de amor que eles enviavam para namoradas reais, supostas ou apenas desejadas, algumas das quais presas no Talavera Bruce, ali ao lado. Quanto mais melosas, melhor.

Como não havia sido levado a julgamento, por causa da menoridade na época da prisão, não cumpria nenhuma pena específica. Por isso era mantido nesse confinamento semiclandestino, segregado dos demais presos políticos. Ignorava quanto tempo ainda permaneceria nessa situação.

Lembro-me com emoção – toda essa trajetória me emociona, a ponto de eu nunca tê-la compartilhado – do dia em que circulou a notícia de que eu seria transferido. Recebi dezenas de catataus, de todas as galerias, trazidos pelos próprios guardas. Catatau, em língua de congo, é uma espécie de bilhete de apresentação em que o signatário afiança a seus conhecidos que o portador é “sujeito-homem” e deve ser ajudado nos outros presídios por onde passar.

Alguns presos propuseram-se a organizar uma rebelião, temendo que a transferência fosse parte de um plano contra a minha vida. A essa altura, já haviam compreendido há muito quem eu era e o que era uma ditadura.

Eu os tranquilizei: na Frei Caneca, para onde iria, estavam os meus antigos companheiros de militância, que reencontraria tantos anos depois. Descumprindo o regulamento, os guardas permitiram que eu entrasse em todas as galerias para me despedir afetuosamente de alunos e amigos. O Devagar ia embora.

São Paulo, 1994. Eu estava na casa que servia para a produção dos programas de televisão da campanha de Lula. Com o Plano Real, Fernando Henrique passara à frente, dificultando e confundindo a nossa campanha.

Nesse contexto, deixei trabalho e família no Rio e me instalei na produtora de TV, dormindo em um sofá, para tentar ajudar. Lá pelas tantas, recebi um presente de grego: um grupo de apoiadores trouxe dos Estados Unidos um renomado marqueteiro, cujo nome esqueci. Lula gravava os programas, mais ou menos, duas vezes por semana, de modo que convivi com o americano durante alguns dias sem que ele houvesse ainda visto o candidato.

Dizia-me da importância do primeiro encontro, em que tentaria formatar a psicologia de Lula, saber o que lhe passava na alma, quem era ele, conhecer suas opiniões sobre o Brasil e o momento da campanha, para então propor uma estratégia. Para mim, nada disso fazia sentido, mas eu não queria tratá-lo mal. O primeiro encontro foi no refeitório, durante um almoço.

Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci. Lula puxou conversa: “Você esteve preso, não é Cesinha?” “Estive.” “Quanto tempo?” “Alguns anos…”, desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: “Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta”.

Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de “menino do MEP”, em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do “menino”, que frustrara a investida com cotoveladas e socos.

Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o “menino do MEP” nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram.

O marqueteiro americano me cutucava, impaciente, para que eu traduzisse o que Lula falava, dada a importância do primeiro encontro. Eu não sabia o que fazer. Não podia lhe dizer o que estava ouvindo. Depois do almoço, desconversei: Lula só havia dito generalidades sem importância. O americano achou que eu estava boicotando o seu trabalho. Ficou bravo e, felizmente, desapareceu.

Dias depois de ter retornado para a solitária, ainda na PE da Vila Militar, alguém empurrou por baixo da porta um exemplar do jornal “O Dia”. A matéria da primeira página, com direito a manchete principal, anunciava que Caveirinha e Português haviam sido localizados no bairro do Rio Comprido por uma equipe do delegado Fleury e mortos depois de intensa perseguição e tiroteio. Consumara-se o assassinato que eles haviam antevisto.

Nelson, que amava os Beatles, não conseguiu ser o rei do Senegal: transferido para o presídio de Água Santa, liderou uma greve de fome contra os espancamentos de presos e perseverou nela até morrer de inanição, cerca de 60 dias depois. Seu pai, guarda penitenciário, servia naquela unidade.

Neguinho Dois também morreu na prisão. Sapo Lee foi transferido para a Ilha Grande; perdi sua pista quando o presídio de lá foi desativado. Chinês foi solto e conseguiu ser contratado por uma empreiteira que o enviaria para trabalhar em uma obra na Arábia, mas a empresa mudou os planos e o mandou para o Alasca. Na última vez que falei com ele, há mais de 20 anos, estava animado com a perspectiva do embarque: “Arábia ou Alasca, Devagar, é tudo as mesmas Alemanhas!” Ele quis ir embora para escapar do destino de seu melhor amigo, o Sabichão, que também havia sido solto, novamente preso e dessa vez assassinado. Não sei o que aconteceu com o Formigão e o Ari Navalhada.

A todos, autênticos filhos do Brasil, tão castigados, presto homenagem, estejam onde estiverem, mortos ou vivos, pela maneira como trataram um jovem branco de classe média, na casa dos 20 anos, que lhes esteve ao alcance das mãos. Eu nunca soube quem é o “menino do MEP”. Suponho que esteja vivo, pois a organização era formada por gente com o meu perfil. Nossa sobrevida, em geral, é bem maior do que a dos pobres e pretos.

O homem que me disse que o atacou é hoje presidente da República. É conciliador e, dizem, faz um bom governo. Ganhou projeção internacional. Afastei-me dele depois daquela conversa na produtora de televisão, mas desejo-lhe sorte, pelo bem do nosso país. Espero que tenha melhorado com o passar dos anos.

Mesmo assim, não pretendo assistir a “O Filho do Brasil”, que exala o mau cheiro das mistificações. Li nos jornais que o filme mostra cenas dos 30 dias em que Lula esteve detido e lembrei das passagens que registrei neste texto, que está além da política. Não pretende acusar, rotular ou julgar, mas refletir sobre a complexidade da condição humana, justamente o que um filme assim, a serviço do culto à personalidade, tenta esconder.

CÉSAR BENJAMIN, 55, militou no movimento estudantil secundarista em 1968 e passou para a clandestinidade depois da decretação do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro desse ano, juntando-se à resistência armada ao regime militar. Foi preso em meados de 1971, com 17 anos, e expulso do país no final de 1976. Retornou em 1978. Ajudou a fundar o PT, do qual se desfiliou em 1995. Em 2006 foi candidato a vice-presidente na chapa liderada pela senadora Heloísa Helena, do PSOL, do qual também se desfiliou. Trabalhou na Fundação Getulio Vargas, na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na Prefeitura do Rio de Janeiro e na Editora Nova Fronteira. É editor da Editora Contraponto e colunista da Folha.

Publicado por: debatepronto | janeiro 25 2010

Licitação para “Francês” ver

Amigos Leitores,

Abrindo o ano de 2010 não poderia deixar de fazê-lo apresentando mais uma denúncia de mais um absurdo cometido por esse desgoverno que aí está.

Um grande abraço a todos e boa leitura,

Raul Avelino.

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A NEGOCIATA COM OS RAFALES: EIS O GRANDE ESCÂNDALO

TERÇA-FEIRA, 19 DE JANEIRO DE 2010 | 14:59

Não fosse essa espécie de abdução coletiva a que estamos todos submetidos, com “O Cara” deitando e rolando sobre as instituições — e a moralidade pública — , o caso dos caças Rafale seria tratado como aquilo que é: UM ESCÂNDALO, talvez o maior do governo Lula. Não é assim porque eu quero. É assim porque é. A Índia abriu uma concorrência internacional para a compra — ATENÇÃO!!! — de 126 caças. Valor que se dispõe a pagar a Força Aérea Indiana: US$ 10 bilhões. Seis modelos participaram da primeira rodada de seleção: os americanos F 18 e F 16, o Eurofighter Typhoon, o  russo MiG 35, o sueco Gripen NG e o Rafale. Só um caça foi descartado no começo da disputa: o Rafale. Justificativa: não cumpria os requisitos mínimos de desempenho técnico exigidos pela Força Aérea Indiana.

Como vocês sabem, o Rafale é o caça que Lula decidiu comprar ao arrepio da recomendação da Aeronáutica, que é quem entende da área no Brasil. Lula, o Homem com o Isopor na Cabeça, é especialista em outros assuntos. Muitos indagarão: “Mas o escândalo está em ter a Força Aérea da Índia rejeitado o Rafale, que Lula quer comprar?” Não! Já contei onde está. É que a abdução em curso está nos impedindo de ver as coisas com a rapidez necessária. Já chego lá. Antes, algumas outras considerações. Ah, sim: depois de ler este post, você pode obter mais detalhes na concorrência indiana no site India Defence. Sigamos.

Enquanto o Rafale esteva na concorrência, Nicolas Sarkozy, o camelô de aviões e marido de Carla Bruni, fez o mesmíssimo lobby que vem fazendo no Brasil. A diferença é que, na Índia, a avaliação é realmente técnica. Por lá, não basta apenas adular o imperador absolutista, dispensar-lhe rapapés, elegê-lo “o homem do ano”, para embolsar alguns bilhões. Desde o começo da concorrência, informam os sites indianos que trataram do assunto, o Rafale era considerado a pior alternativa entre — atenção! — SETE MODELOS.  A chamada grande imprensa, que a canalha petralha acusa de ser “antigovernista” (podem rolar de rir), se interessou pelo assunto? Que eu tenha achado, só o Estadão Online publicou um despacho da Reuters no dia 16 de abril de ano passado. Depois o assunto sumiu. Como vocês sabem, a Força Aérea Brasileira também não quer o Rafale. Entre os três caças que avaliou, preferiu o sueco Gripen NG. Em segundo lugar, ficou o F-18. Em último, o avião francês. Como reagiu o governo do Homem do Ano do Le Monde? Considerou a hipótese de punir o que chamou de “vazamento” do relatório. Onde já se viu a Aeronáutica ficar se metendo com caças?

Celso Amorim, um gigante da filosofia, ainda maior por dentro do que por fora, deu-se a especulações metafísicas: “Às vezes, o barato sai caro”. Samuel Pinheiro Guimarães, o chefe da banda antiamericana do governo e da Sealopra, indagou se a gente compra um carro só pensando no preço… A mediocridade dessa gente é espantosa, especialmente quando tenta mimetizar Lula nas suas filosofadas e metáforas. O que, nele, aspira a um saber popular revela- se pelo que é na boca dos doutores: BOÇALIDADE PURA E SIMPLES.

E o escândalo, além do fato de que Lula anunciou o vitorioso quando a avaliação estava em curso??? Vamos lá. A Dassault, que fabrica os Rafales, se ofereceu para vender 126 caças à Índia por US$ 10 bilhões. Preço médio de cada avião: US$ 79.365.079,36. O Brasil está disposto a pagar R$ 10 bilhões por 36 aviões — ou US$ 5.681.818.181. Dividindo-se esse valor em dólar pelo número de aparelhos, chega-se ao custo unitário: US$ 157.828.282, 82. Cada Rafale para o Brasil custa quase o que o dobro do que custaria para a Índia. Atenção: ESTAMOS FALANDO DO MESMO MODELO DE AVIÃO E DE CONCORRÊNCIAS FEITAS AO MESMO TEMPO. Agora entendo o que o sr. Samuel Pinheiro Guimarães quer  dizer quando afirma que a gente não compra um carro só pelo preço. No caso, parece que se compra também para agradar o fornecedor, não é mesmo? Que, sei lá, se não tiver o coração tão duro quanto o do faraó, dá ao menos um chaveiro de presente ao comprador. Já quanto a Amorim, o que pensar? Nem uma antítese tornada um clichê popular resiste a este monumento, logo involuindo para a tautologia: O CARO SAI CARO!

É incrível que um dos maiores negócios do governo Lula, com jeito, história e números de negociata, se faça sob o silêncio cúmplice de boa parte da imprensa e, como não poderia deixar de ser, da oposição.

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João Carlos Melchiors

Publicado por: debatepronto | janeiro 25 2010

Capítulos VI e VII do Livro Coisas de Homem (por: Dr. Ariosvaldo)

Amigos Leitores,
Estou de volta e junto trouxe meu amigo o Dr. Ariosvaldo que nos brinda com mais dois capítulos do seu livro “Coisas de Homem – Dicas do Dr. Ariosvaldo”.
Espero que gostem e voltem a acessar o blog com muito entusiasmo, assim como a colaborar com a sua atualização.
Um excelente ano de 2010 a todos e vamos rumo aos 50 mil acessos!
Um grande abraço,
Raul Avelino.
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CAPÍTULO VI

O NOIVADO (E OS PARENTES) – ADMINISTRANDO O QUE SE PEGA

De tanto seguir nossos preciosos ensinamentos, você conseguiu, noites a fio, deixar a namorada cedo em casa, simular uma súbita sonolência e sob o pretexto de ir descansar, sair De lá bem na hora da balada. E foram tantas festas, tantas noitadas, tantas presas criteriosamente selecionadas que não teve jeito, por vezes você foi visto em plena contravenção e as más notícias fatalmente chegaram aos ouvidos da sua amada. Que problema hein? Discute daqui, desmente dali, esporro, tapa, grito, xingamento, berro, choro, porta bate, adeus, te odeio, cachorro, pra nunca mais, flores, desculpa, perdão, choro de novo, beijo, abraço, carinho, trepada, e que trepada, reconciliação, te amo.

Opa!!! Te amo!!! Xiii…Esse é o primeiro sintoma de a coisa realmente é séria.

O segundo sintoma novamente aparece por intermédio dos parentes, mais especificamente das tias gordas que agora cismaram de todo ano dar de presente de aniversário pra sua namorada, peças de enxoval, tais como jogos de pano de prato com “biquinho” de crochê, conjuntinho de vestidinho pra liquidificador e botijão de gás na mesma fazenda da cortina da janela da cozinha que é pra ornar. E a lista de barbaridades continua seguida de jogo de toalhas ELE / ELA (azulzinha pra ele e rosinha pra ela), colchas daqueles tecidos que imitam cetim em tons berrantes de vermelho e lilás e que fazem conjunto com cortinas da mesma cor e almofadas em forma de coração, e por aí vai.

Pra você, obviamente, sobram os comentários: “E daí quando é que vai deixar de enrolar a minha sobrinha, hein seu safado?” ou ainda os comentários dos tios mortos de fome que só pensam na festança do casório: “Pô, quando é que vamos matar o boi pra comemorar o enlace dos pombinhos, he, he, he…?”

Se lhe serve de consolo, essa pressão, não é sofrida só por vocês dois não, os seus pais e os dela, via de regra esses mais do que aqueles, também sofrem com a voracidade da parentada de modo que não demora muito e eles acabam aderindo ao movimento opressor casamento já.

O terceiro e definitivo sintoma é quando a sua namorada embala e também adere ao movimento encabeçado pela parentada e passa a comprar revista Manequim / Noivas, ver encarte de jornal com planta de apartamento, sair sábado de manhã com a mãe e as irmãs pra pesquisar preço de mobília e a lhe dar indiretas sobre assuntos variados, como vestidos de noiva, apartamentos, mobília, par de alianças, etc.

Rapaz, se o seu namoro chegou a esse ponto é porque você já está ha muito tempo dormindo na casa da sogra e a intimidade com a família já é tanta que você já caga de porta aberta sem se importar com o cheiro, peida na frente da namorada e chama a sogra de mãe. Nesse caso é hora de parar e pensar, se é que isso ainda é possível.

Àqueles cujo namoro ainda não chegou nesse estágio, continuem chamando o sogro e a sogra de seu fulano e dona fulana, nada de pai e mãe, por mais tarde que seja, vá dormir em casa e somente quando for absolutamente impossível segurar vá ao banheiro na casa dela e mesmo assim na medida que for modelando a argila, vá dando descarga que é pra não deixar o cheiro se alastrar e quanto a peidar na frente da namorada, evite fazê-lo, quando não for possível faça e coloque a culpa no cachorro, no gato ou em qualquer ser vivo que esteja por perto, até nela que assim você já vai exercitando a sua cara de pau. Você pode culpar também o vaso de samambaia da velha que isso vai render uma bela discussão sobre a emissão de gases dos vegetais e assim você exercita não só a cara de pau, mas também a retórica e o poder de persuasão.

Agora, se esse não é o seu caso, se o seu namoro já ta mais sério do que cachorro em canoa, aí a hora realmente é de decisão. Assim como não se vai ao motel sem a intenção de trepar, ao bom cafajeste é vedado o direito de noivar sem a intenção de casar, que isso é coisa de canalha. Portanto, há que se avaliar se essa é realmente a mulher certa pra casar, se é isso que você realmente quer e se você está disposto a assumir os encargos que tamanha responsabilidade lhe trará.

Feitas as devidas ponderações, você agora só tem dois caminhos a seguir, ou faz um acordo com a sua namorada, no qual você entra com o pé e ela com a bunda e com isso volta à estaca zero e começa tudo de novo quando a próxima entre safra lhe derrubar, ou você decide casar e assim pra adiar ao máximo o fatídico dia lança mão do recurso do noivado. Bem administradinho, o noivado pode lhe render mais uns três anos de enrolação, mais do que isso é atraso de vida e menos do que isso é o que geralmente acontece. Os noivados duram em média de um ano e meio a dois no máximo, salvo as exceções.

O fato de vocês estarem noivos não significa que as coisas devem mudar radicalmente, caso essa palhaça comece a ter idéia não dê moleza, não pense duas vezes, meta o pé na bunda dela e cace o rumo e ela que faça das alianças um bom proveito. Agora se ela estiver se comportando direitinho, há que se ter alguma consideração com a pobrezinha. Vá reduzindo gradativamente as suas noitadas até um mínimo de uma por semana, mantenha a conversa fiada regada a cerveja e o futebol com os amigos, mas selecione ainda melhor as suas aventuras amorosas, qualquer deslize agora pode não significar o fim do relacionamento, mas com certeza irá render comentários desagradáveis pro resto de sua pobre vida, o que cá pra nós, é bem pior do que o fim do romance.

Comece a exercitar álibis que lhe serão de grande monta quando do casamento, tais como viagens, cursos, cerão, academia e afins. Como uma espécie de preparação para o casamento, passe mais tempo com a adversária que é pra ir acostumando e vá em tudo quanto é evento que lhe convidarem pra ir sem ela, até reunião de condomínio, com isso, ela é que vai se ambientando com a sua vida agitada e cheia de compromissos que o impede de passar mais tempo ao lado dela. Muito cuidado, o noivado serve também pra você controlar a medida das coisas, não exagere sob pena dela se emputecer e resolver matar as saudades daquele antigo namorado antes de casar.

Bom se isso acontecer agora, ou depois que você estiver casado, não se desespere. Ser um cafajeste é também dominar a arte de reverter situações hostis a seu favor. O melhor mesmo é não ficar pensando nisso, é desencanar, mas caso você descubra que é corno, não faça nada, não dê na vista, finja que não sabe de nada e deixe essa cadela cavar a própria cova, quando ela menos esperar você posa de vítima e a desmoraliza perante os parentes e amigos, no trabalho e em tudo quanto é canto, se for casado deixe a vadia sem nada, se tiver filhos fique com eles e não meça esforços pra que ela tenha o mínimo de direitos sobre eles, fode com a vida dela, faça com que ela só conjugue o verbo sofrer, extraia o melhor possível dessa situação adversa e saia por cima da carne seca e se vocês têm de lavar alguma fama nessa história, ela que leve a fama de puta e você a de um corno esperto e maduro que soube assimilar o duro golpe e que na verdade já não tava nem aí pra ela. Parece crueldade, mas não é não, isso não é nem sombra do que ela vai fazer caso descubra alguma cagada sua que você não consiga reverter, portanto, todo cuidado é pouco.

Mas, deixando a parte triste de lado e voltando ao assunto do noivado, salvo estas pequenas adaptações, relaxe e deixe a coisa fluir normalmente pois o noivado nada mais é que um namoro de alianças com data marcada pra acabar e virar casamento. Triste sina.

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CAPÍTULO VII

O CASAMENTO (E OS PARENTES) – ESCONDENDO O QUE SE PEGA

Não existe a menor possibilidade de se falar de casamento sem fazê-lo passo a passo, ou seja, não podemos começar a falar de casamento sem falar da festa e de seus preparativos.

E não adianta, festa boa mesmo é festa de pobre, que festa de rico é muito cheia de viadagem e pouca comilança, alem do mais se formos falar de todos os tipos de festas de casamento, vamos acabar tendo de escrever um livro só sobre esse assunto.

Após a realização de uma enquete onde foram colhidas as mais diversas opiniões a respeito de tão complexo assunto, pudemos apurar que a maioria esmagadora elegeu a festa em salão paroquial, aqueles anexos à igreja onde se realizou o casório, como sendo as mais animadas, pois no som mecânico toca-se de tudo e o povo dança sem culpa até cair, bebe até cair, come até cair e briga até cair, tudo regado a muita baixaria e tia gorda se espatifando no chão de taco após uma tentativa infeliz de um novo passo de dança.

Em segundo lugar disparado elegeu-se a festa de casamento em salão de clube, dessas, tipo festa de formatura, um pouco mais requintada, mas com os mesmos ingredientes tragicômicos da anterior, pois apesar do refinamento que custou os tubos ao infeliz do pai da noiva, após um vinhozinho aqui, um uísquinho ali, a baixaria rola solta, os homens esquecem o paletó e o senso do ridículo na cadeira, tiram a gravata, alguns a prendem na testa fazendo estilo Rambo outros a picam em pedaços e passam pelas mesas dizendo ser a gravata do noivo na esperança de levantar algum. Já devidamente desgravatados e perdidamente embriagados vão pro meio da pista de dança e ao som de Bee Gees, Village People e Roupa Nova com as infalíveis “Stayin’ Alive”, “Macho, macho man” e “Uísque a go go” esboçam uma performance a lá John Travolta com convulsão.

Já a mulherada a essas alturas também já perdeu a compostura e o salto do sapato e devidamente descalças, com a meia desfiada, o penteado de cento e vinte reais todo desgrenhado, maquiagem borrada e um peito que insiste em fugir pelo decote ousado, também vai pro meio da pista pensando que são a versão tupiniquim da Shaquira, cantam e saracoteiam e dá-lhe tia gorda pensando que é Ana Botafogo e ao ensaiar um “padedê” estatelam o bundão no chão de taco, pernas varizentas pro alto e calçolas à mostra e dá-lhe festa…

Ah, tem ainda a banda Show e Luzes de música ao vivo que também toca de tudo e geralmente com muita qualidade vai desde Ray Conniff e boleros clássicos como “Besame Mucho” até as mais saudosas marchinhas de carnaval. Ê festão!

Tirando a comilança que ao contrário da festa no salão paroquial, não é regada a churrascão com maionese no prato de papelão, cerveja, vinho de colônia e tubaína de framboesa, no mais a animação é a mesma só perde pra festa do salão paroquial porque a etiqueta impõe alguns limites e com isso raramente rola uma briga que sempre completa a animação.

Então todo mundo empanturrado, bêbado e com o saco cheio de tanta baixaria, como se não bastasse saem reclamando e falando mal da festa, da família do noivo se forem parentes da noiva e vice-verso, reclamam do padre que enrolou muito no sermão, reparam na roupa e no cabelo de todo mundo, enfim reclamam de tudo e as tias gordas seguem seu destino com seus pratinhos de papelão recheados de salgadinhos, docinhos e bolo que geladinho no dia seguinte fica mais gostoso, tudo é claro devidamente coberto com guardanapinho. E você que gastou os tubos pra agradar dando uma baita festança, não tem jeito, de qualquer maneira sai mal falado ou porque gastou demais e sai com fama de esnobe, ou porque gastou de menos e não passa de um tremendo mão de vaca, “Coitada da Fulana que casou com esse avarento e vai ter que viver na miséria”.

Festa feita, o próximo passo é a lua de mel. Sobre isso não temos nada a declarar porque tirando as fotos e fitas de vídeo insuportáveis que ninguém consegue assistir, tudo o mais numa lua de mel é mistério, talvez até por razões óbvias, afinal uma broxada em plena noite de núpcias não é exatamente um feito a ser alardeado.

De volta ao lar doce lar, tudo é lindo e maravilhoso até começarem os primeiros contratempos.

Não pretendo aqui abordar todos os contratempos que assolam a vida conjugal de cada um dos casais (o que farei quando escrever meu próximo livro o qual será dedicado somente ao tema “casamento”), mas sim fazer um apanhado geral sobre os percalços mais comuns como por exemplo, os parentes (sogra megera, sogro pinguço, sobrinhos mimados, cunhado folgado, prima puta, cunhadinha gostosa…etc.) e as particularidades da sua parte como a famosa toalha molhada em cima da cama, sapatos e meias fétidas pela sala, cueca borrada no chão do quarto, ronco ao dormir no sofá, futebol com os amigos, cerveja com os amigos, putaria com os amigos e por aí vai… E da parte dela as perguntas e comentários irritantes como “Vou pra casa da minha mãe”, “Você me ama?” “Estou gorda?” “De qual time é esse jogador todo de preto que corre pra lá e pra cá com esse apitinho na mão e nunca chuta a bola???” ou ainda “QUEM É ESSA TAL DE CLAUDINHA!?!?!?”.

Como já vimos anteriormente, se casar é uma cagada, separar são duas. Logo, se estes pequenos impasses não forem habilmente administrados, isso pode significar o fim do relacionamento e o início de uma baita encheção de saco. Para se evitar contratempos com os parentes, via de regra, alguns procedimentos básicos são bastantes e suficientes, principalmente se enquanto namorado, você já soube manter cada macaco no seu galho, resumindo, não dá mole, não dá confiança pra ninguém, mantenha a política de boa vizinhança, trate bem quem lhe trata bem, despreze quem lhe trata mal e só se preocupe em gostar de quem gosta de você. Não dê lado pra fofocas e falatórios, não se meta na vida deles e não permita que se metam na sua, não empreste dinheiro, tampouco peça emprestado, em casos de necessidade extrema, recorra a amigos, instituições financeiras ou agiotas, mas em hipótese alguma empreste nada dos parentes, nem dos seus nem dos dela e se mesmo com todos esses cuidados eles insistirem em infernizar a sua vida, bom, nesse caso não tem outro jeito, espatife as fuças dos desgraçados com um belo cruzado de direita, ou contrate alguém que o faça.

Ah, quanto a prima puta e a cunhadinha gostosa, nem pense em pegar!!! Pelo menos não agora, espere o momento mais oportuno em que elas também tenham algo a perder caso o affair seja descoberto, dessa forma fica todo mundo com o rabo preso e conseqüentemente todo mundo se preocupa com a discrição e o sigilo.

Tendo esses pequenos detalhes sob controle, você agora precisa se preocupar com aquela que é a principal razão da falência conjugal. “AS SUAS PISADAS NA BOLA”!

É, elas mesmas, as famosas CAGADAS estão de volta e são inevitáveis, porém administráveis e como contorná-las é o que veremos a seguir.

Primeiro trataremos os pequenos impasses domésticos, para então partirmos para os casos mais delicados como as suas relações extraconjugais, assunto do qual tratarei baseado tão somente no estudo das experiências alheias, posto que não disponho de vivência prática neste campo, uma vez que a fidelidade é um dogma que respeito incondicionalmente. Colou? Bem, isso não vem ao caso, vamos ao que interessa.

Se você sempre viveu na barra da saia da mamãe, terá problemas porque a sua esposa evidentemente não é a sua mãe e conseqüentemente irá suportar muito menos desaforo que a sua santa mãezinha, além do que não irá fritar seu bifinho na manteiga com uma pitadinha de açúcar que aí já é viadagem demais, bem como, não vai conseguir jamais o mesmo tempero do feijão da mamãe. Portanto, pelo bem do seu convívio conjugal, esqueça toda e qualquer comparação entre a sua mãe e a sua esposa. Essa é uma regra básica de bom relacionamento.

Muito bem, cada macaco no seu galho, cada um com seu cada um e deixe o cada um dos outros. Agora o negócio é entre você e a patroa, portanto há que se deixar claro quem é que manda no barraco em determinadas ocasiões. Via de regra quem manda é ela, deixe-a crer nisso do contrário nada mais funciona e a sua vida vira um inferno. No entanto, como toda regra tem exceção, em determinados momentos você terá de se impor e primar pela sua individualidade respeitando evidentemente a dela. Aliás, esse lance de respeito sempre soa muito bem numa discussão desde que você toque no assunto primeiro.

Deixe esse subterfúgio para aqueles momentos da discussão em que você estiver numa sinuca e precisar de tempo pra pensar numa resposta. Por exemplo, a dona patroa ataca: – Que mancha de batom é essa na sua cueca Valdionor? Aí você contra-ataca: – Olha Jucicleide, eu não suporto mais a falta de respeito com que você vem me tratando ultimamente…

Evidentemente o seu comentário não tem nada a ver com a pergunta dela, mas ao mesmo tempo em que você o faz, pensa em alguma resposta plausível, duvido que você encontre alguma, mas ao menos ganha tempo antes de tombar desfalecido com um golpe de frigideira na idéia. Como mulher não suporta que seus princípios éticos, mesmo que eles não existam, sejam questionados, ela antes de continuar com interrogatório descabido a respeito do batom na zorba, vai querer discutir sobre quem desrespeita quem primeiro e com que intensidade. Desta forma, até que ela lembre de retomar o assunto do singelo cosmético labial na sua roupa íntima, já é outro dia e as coisas devidamente mais calmas acabam se resolvendo por si. Ou isso ou o fim do relacionamento, porque francamente, batom na cueca não tem explicação.

Essa artimanha pode ser aplicada em qualquer situação, porém para aqueles casos menos complicados você não precisa lançar mão de tão preciosa matéria, mas sim do recurso tão somente. Ou seja, ao invés de aplicar o conto do desrespeito ou outro que o valha, simplesmente devolva a resposta com outra pergunta e até que ela reordene as idéias novamente, você já teve tempo de pensar. Por exemplo, se ela enfurecida lhe pergunta: – Quem essa tal de Claudinha? Você com cara de sonso também pergunta: – Claudinha? Que Claudinha? Bom ela vai ficar prostituta da cara e antes de refazer a pergunta irá precede-la de uma série de impropérios, todos injustos é claro, com relação à sua pessoa e com isso você agora recuperado do baque, poderá responder não com cara de sonso, mas com cara de pau, serenamente: – Ah claro você ta falando da DONA Claudinha, aquela senhora baixinha, gorda e banguela que manca de uma perna e não tem um olho, a nova zeladora lá da repartição. Ela me procurou, foi? Com certeza pra pedir algum ajutório, é que ela nem bem começou no emprego já foi mandada embora, coitada… Gente preconceituosa, só porque sofria de lepra não quiseram que a pobre continuasse no serviço, quanta maldade…

Viu? É mole, a essa altura dos acontecimentos a dona da pensão já ta até arrumando uma cesta básica para você levar para pobrezinha da Da. Claudinha. Ah, dona Claudinha, Uh tererê…

Outro problema bastante comum na vida a dois, costuma ser o sacro hábito do futebol seguido de churrasco, cerveja gelada e samba de primeira com os amigos. É preciso esclarecer que o futebol também conhecido como bate bola ou pelada, no bom sentido, não diz respeito tão somente ao querido esporte bretão. Também chamamos de futebol ou bate bola, outros hábitos coletivos como o jogo de cartas, o tênis, o golfe, o palitinho, a bocha e até mesmo o simples bate papo de botequim. A isso tudo chamamos bate bola.

Portanto queridas esposas, quando ouvirem seus maridos ao telefone com algum amigo combinando um “bate bola”, saibam que não necessariamente eles estão combinando um jogo de futebol propriamente dito, mas um simples e inocente encontro entre amigos. Alguns gostam tanto dos seus passa tempos e os levam tão a sério a ponto de batizar seus equipamentos com nomes próprios geralmente de mulheres, logo se no meio do diálogo as senhoras ouvirem um perguntar ao outro se ao bate bola também irão a Claudinha, a Gabi e a Tati, lembrem-se que com certeza eles estarão se referindo às suas bolas de boliche preferidas, raquetes de Tênis, tacos de sinuca e coisas do gênero.

Tem um amigo meu que é tão maluco por sinuca que a cada bola do jogo ele deu um nome de mulher. Em certa ocasião enquanto ele ao telefone descrevia uma seqüência de jogada a um companheiro de boteco (- Rapaz!!! O bate bola de ontem tava bom demais, você não sabe o que perdeu, teve uma hora em que eu fui louco pra cima da Gabi, daí o taco espirrou e eu acabei encaçapando a Tati. Foi uma loucura!!!), ele nem bem concluiu a narrativa e teve o cocuruto colhido por uma panela de pressão desgovernada que veio da cozinha. Coitado, a Esmeralda patroa dele, pensando tratar-se de uma suruba homérica não titubeou em golpeá-lo à distância com o pesado artefato doméstico. E pensar que se tratava tão somente de um inocente jogo de sinuca. Não sei se ele ficou com alguma lesão no cérebro, mas o pessoal comenta que depois disso o taco dele espirra com muito mais freqüência do que outrora, coitado.

Vejam bem minhas senhoras, que este triste episódio sirva de alerta contra possíveis incompreensões e injustas reações.

Bem, aos caríssimos leitores me resta recomendar que desde o início do relacionamento deixem tudo muito claro, que mesmo depois do casamento o bate bola vai continuar rolando, no máximo o que pode acontecer é uma negociação de horários, isso nós até achamos justo e as esposas, quando não são loucas, geralmente aceitam bem essa condição.

Se entrar num acordo quanto ao horário, normalmente não requer maiores habilidades, cumpri-lo é impossível e ludibriar a dona da pensão quanto aos atrasos é uma arte que poucos dominam, ou pensam que dominam. Aqui, algumas dicas que disponibilizo aos leitores amigos.

Lembro que cada um sabe onde seu calo aperta, portanto o que apresentaremos a seguir serão apenas sugestões flexíveis que podem ser moldadas á necessidade de cada um.

Muito bem, você saiu pra um bate bola legal com os amigos e o combinado com a patroa, além de levá-la na casa da sogra no sábado á tarde ou coisa do gênero, era de voltar até no máximo a meia noite. Geralmente pequenos atrasos são toleráveis, uma vez que meia noite e cinqüenta e nove, ainda é meia noite e você então só se atrasou alguns (59) minutinhos, nada que uma boa explicação não resolva.

O problema é quando você chega a partir da uma da manhã, porque aí no entender das esposas, já é de madrugada. Sendo assim, já que a encheção de saco vai rolar solta de qualquer jeito, estique a festa até as três da matina que dá no mesmo, no entanto se vai chegar depois das três, aí fodeu nem chegue, por que nesse caso já é de manhã. Se você cometer uma sandice dessas melhor desaparecer no mínimo até o meio dia, porque até as sete da manhã, você ainda é vagabundo, mas depois das sete ela já começa a se preocupar e ligar só pra duas pessoas, Deus e o mundo, ou seja, necrotério, hospital, departamento de trânsito, parente, delegacia, IML e o cacete a quatro. Se você tiver alguma herança pra deixar, lá pelas onze você já é tido como morto pela maioria dos parentes, agora se for um duro como eu, melhor esperar mesmo até o meio dia, meio dia e meia, mais ou menos, pra se assegurar de que o desespero tomou conta do pedaço. Não que gostem de você, o desespero na verdade será dos seus credores porque sendo você um duro, com certeza vai estar devendo só pra duas pessoas, Deus e o mundo…

Bem, voltando ao assunto, depois é só rasgar a camisa, o bolso da calça, esconder o relógio dentro do sapato (pra justificar o porque de não terem levado o seu cebolão), jogar sua carteira de documentos numa caixa de correios qualquer (que depois você recupera no achados e perdidos daquela instituição, que aliás é muito séria e funciona bem) e se apresentar com aquela cara que é um misto de coitado, herói e vítima dizendo que foi seqüestro relâmpago. Desse jeito você além de se livrar das ripadas ainda justifica o rombo que as extravagâncias da noitada deixaram na sua conta e de quebra ainda tem desculpa pra dormir sossegado a tarde toda e repor as energias perdidas durante o “seqüestro”.

Contudo aconselho que o melhor seja evitar tamanho transtorno, chegando mesmo até as três da manhã. Como já vimos, até a meia noite dá pra chegar tranqüilo sem maiores contratempos. Portanto se você se atrasar e quiser dar o “migué” de estar chegando mais cedo, é muito simples.

Todo casal moderno que se preza tem um criado mudo na cabeceira da cama e sobre este um rádio relógio digital que nos inferniza a vida de manhã e que nos delata quando chegamos em casa de madrugada. O que poucos sabem é que esta pequena maravilha tecnológica dos infernos tem uma grande utilidade para os cafajestes, pois se é por ele que a Da. Patroa controla o horário da nossa chegada, é através dele que nunca mais iremos nos atrasar. Você quer saber como?

Ë muito simples, se depois do bate bola você esta voltando pra casa as duas da matina e no caminho veio pensando numa desculpa que não lhe ocorreu, não se desespere. Ao chegar em casa vá até o relógio do contador de luz e desligue e ligue novamente a chave geral. Isso causará uma interrupção momentânea no fornecimento de energia elétrica de sua residência, o que fará com o que o rádio relógio delator volte a marcar meia noite. Desta forma quando a adversária acordar com a sua chegada, vai estar ainda meio zureta de sono, vai ver que no rádio relógio ainda é meia noite e vai voltar a dormir tranqüila e serena sem lhe encher o saco.

Esqueça os métodos ultrapassados de ludibriar a esposa que estes depõem não só contra a sua credibilidade como também contra a sua inteligência, afinal convenhamos, ninguém demora mais do que meia hora pra trocar um pneu furado, portanto não há como justificar um atraso de cinco horas com uma desculpa dessas. Defeito mecânico talvez, dependendo das circunstâncias até passe, mas é muito manjada e nesse ramo de negócio o segredo é a criatividade.

Um artifício bastante antigo, simples e eficiente, mas que não pode ser usado sempre, é o de chegar em casa prostituto da vida, você viu que se atrasou e que a patroa vai lhe encher os pacovas então já chegue batendo o portão dando bico no cachorro e metendo o pé na porta vociferando que teve um dia horrível, não dê conversa pra ninguém, vá direto pro banho e dali pra cama. Esse método em geral funciona bem. Bater as panelas reclamando da janta também impressiona, mas é pecado e traz má sorte, pelo menos é o que dizem os antigos, além do mais você pode perder a medida e a patroa se emputecer com tamanha esculhambação e aí o tiro sai pela culatra.

Algumas lorotas clássicas ainda andam muito em moda, como por exemplo: O que dizer se você está chegando em casa altas horas da madrugada com uma série de chupões e manchas roxas pelo corpo? Nesse caso não tem jeito, você tem de atacar com a clássica história da abdução. “É isso mesmo Dorinha, eu tava vindo pra casa quando de repente meu carro pifou e uma luz forte (evite dizer de que cor era a luz, esses detalhes sempre traem a nossa memória, aliás o melhor mesmo é reduzir ao máximo a riqueza de detalhes, uma história com poucos detalhes pode não ser tão convincente, mas seguramente pode ser contada mais de uma vez do mesmo jeito) envolveu o carro e eu me senti sendo puxado para cima, depois disso desmaiei e quando acordei estava de novo no carro com dores e manchas por todo o corpo e não me lembro de mais nada, sinto só uma forte dor de cabeça e uma sensação estranha. Nesse momento arregale bem os olhos, fixe um ponto no horizonte e comece a dizer coisas indecifráveis do tipo “karazinpuoemeut combule zauntxhgaretanio” igual aqueles loucos que apareceram outro dia no Fantástico dizendo que eram paranormais só porque inventaram de falar umas línguas que ninguém entendia. Porra como tem neguinho cara de pau nesse mundo, logo em seguida passe a agir normalmente como se nada tivesse acontecido e sempre que ela retomar esse assunto haja da mesma forma, como se a lembrança desse momento o remetesse a uma espécie de transe.

Ah, mas o que você quer saber mesmo é como vai fazer pra administrar aquela amante que você arranjou e não sabe como se livrar dela não é mesmo? Bom se você não sabe nem eu, se vira mané. Eu já falei antes e repito, amante é coisa de canalha, cafajeste que é cafajeste não tem amante, tem amiga, que enche menos o saco e custa mais barato.

Mas se mesmo assim você resolveu arrumar uma namoradinha e ela agora não sai do seu pé, penso que a melhor maneira de se livrar da criatura é ir esfriando o relacionamento, deixe a preocupação com a sua reputação de lado e comece a dar “umas meia foda”, não há mulher que suporte um cara meia bomba direto, comece a tratá-la com indiferença e distancia forçando-a a lhe chamar pra um bate papo do tipo “precisamos discutir nossa relação”. Aí então é chegado o momento em que você tem de dizer pra ela que a sua relação é com a sua mulher e ela que vá catar coquinho. Parece cruel, mas tem de ser assim, pois já que você começou canalha termine canalha e livre-se dessa encrenca antes que a sua mulher se livre de você.

Claro que tal atitude implica o risco dela resolver se vingar de você botando a boca no trombone, portanto vai da sua sensibilidade e habilidade em fazer com que o fim seja natural e sem muitas mágoas, senão você ta fudido meu amigo. A melhor maneira de fazer com que ela desencane de você é jogando-a no colo de um amigo disposto a quebrar esse seu galho, bancando o confidente, amigão, etc,  se ele fizer o serviço com propriedade você já era e então o problema passa a ser dele.

Pra evitar esse tipo de transtorno, o melhor a fazer e ter sempre em mente o seguinte lema: “Em se tratando de petecas, uma foda todas merecem, duas muito poucas e três raríssimas e com essas, geralmente você se casa”.

Porém, se você é um sujeito esperto e inteligente e tem apenas algumas amigas com quem troca algumas experiências íntimas de vez em quando, o segredo é fazê-lo sempre com muita discrição e em horários e locais acima de qualquer suspeita. Normalmente só se chega em casa de madrugada porque se estava no botequim com os amigos. E as patroas insistem em imaginar o contrário, logo você já deve estar pensando qual o melhor horário para tais encontros de forma que não preciso lhe dizer, pois cada um sabe onde seu calo aperta. O segredo nesses casos é fugir do comum, pois o comum é previsível e facilmente descoberto.  Alguns preferem pela manhã, outros á tarde, na verdade não existe uma regra para se fazer o que está fora da regra. Existe sim a conveniência de cada caso e cuidados a serem observados.

Publicado por: debatepronto | janeiro 25 2010

Voltamos!

Não vos desespereis! Voltamos, e com a corda toda. Aguardem os próximos posts…
Grande Abraço,
Equipe DebatePronto

Publicado por: debatepronto | dezembro 24 2009

Feliz Natal – Equipe DebatePronto

O pessoal do DebatePronto está por aqui, esperando o termômetro do Peru levantar junto com o do Chester, vendo a cereja queimar na bola de Tender, na expectativa do bom velhinho passar, ma não esqueceu de vocês. Portanto, um Feliz Natal. E seja qual for sua crença, celebre este momento desejando para todos união e paz (e políticos um pouco mais honestos também pode ser um bom pedido).

Um grande abraço e até qualquer momento.

Daniel Pinheiro e todo o “povo” que colaborou, colabora e vai colaborar com o DebatePronto.

“É nóis!”

Publicado por: debatepronto | dezembro 21 2009

E aí, a culpa é de quem?

A incompetência de muitos sempre sobra para mais alguém.

Daniel Pinheiro

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Para Tarso, “marketing” distorceu relação da Polícia Federal com a imprensa

Lísia Gusmão

Da Agência Brasil

Em Brasília

O ministro da Justiça, Tarso Genro, classificou hoje (21) de “desvio” o que chamou de espetacularização das operações deflagradas pela Polícia Federal (PF). Segundo ele, o trabalho da PF sofreu um “salto de profissionalismo extraordinário” durante o governo Lula.

Em entrevista coletiva em que fez um balanço das ações da PF em 2009, Tarso Genro disse que o marketing em cima das operações policiais distorceu as relações da Polícia Federal com a imprensa. “Desvio institucional rapidamente corrigido”, acrescentou.

“Houve uma redução da espetacularização e não porque havia a suspeita de que o Brasil caminhava para um estado policial. Isto é devaneio literário. Mas porque havia uma exacerbação das relações de setores da Polícia Federal com a imprensa. Essa sensação de brilho adquirido gerava o apenamento precipitado das pessoas”, afirmou.

Na mesma linha, o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, defendeu o fim da pirotecnia nas operações da Polícia Federal. “Queremos trocar o mérito do impacto do primeiro momento da operação pela condenação dos criminosos. Isso ainda vai levar um tempo”, afirmou.

Publicado por: debatepronto | dezembro 21 2009

A sedutora combinação: Sexo, Poder e Drogas

Matéria muito interessante. Aliás, uma das pérolas neste fim de ano que anda monótono na imprensa.

Vale a leitura.

Daniel Pinheiro

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Sexo e poder são os principais atrativos para recrutamento de jovens para o tráfico

Marina Lemle

Do Rio de Janeiro

Especial para o UOL Notícias

A sensação do poder armado e a conseqüente facilidade de conquistar mulheres são os grandes estímulos que levam crianças, adolescentes e jovens a entrarem para o tráfico, já que a atividade não rende mais financeiramente o que rendia há alguns anos. Essa é uma das principais conclusões da pesquisa “Meninos do Rio: jovens, violência armada e polícia nas favelas cariocas”, lançada nesta segunda-feira no Rio de Janeiro. O estudo foi promovido pelo Unicef e coordenado pela cientista social Silvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos de Criminalidade e Cidadania (Cesec), da Universidade Candido Mendes.

Em entrevista exclusiva para o UOL, a autora contou que a capacidade das armas de atrair meninas – as chamadas “Maria Fuzil” – surgiu como um comentário constante nas entrevistas feitas com jovens, mães, lideranças comunitárias e técnicos de projetos sociais do Complexo do Alemão e de favelas e bairros da Zona Oeste do Rio. Além de sete grupos focais, reunindo 87 jovens, técnicos e mães, foi realizada uma pesquisa quantitativa executada por 14 jovens que entrevistaram 241 rapazes e moças de 14 a 29 anos.

Outra revelação do estudo é que as razões alegadas para a entrada no tráfico são as mesmas que as de saída ou não entrada. “A única coisa realmente comum a todos os jovens que ingressam no crime é a presença de grupos ilegais armados na esquina de casa”, diz Silvia. Para a pesquisadora, enquanto durar o controle territorial por traficantes e milícias em favelas do Rio, alguns jovens, mesmo sem convicção, vão “experimentar a vida”.

Veja abaixo trechos da entrevista, feita no final de semana no Rio de Janeiro.

O que estimula crianças e adolescentes a entrarem para grupos armados em favelas cariocas?

Silvia Ramos -Muitas vezes, as “causas” que explicariam porque um jovem entrou para o tráfico eram as mesmas que explicariam por que outro jovem não entrou. Famílias desestruturadas, falta de dinheiro, pais violentos, parentes envolvidos no tráfico… ouvimos de jovens que hoje estão na universidade que estas foram exatamente as razões para fugirem do crime e buscarem alternativas. As chamadas causas clássicas, sócio-econômicas, parecem hoje, mais do que em qualquer outro momento, muito frágeis para ajudar a compreender as forças que fazem de um trabalho que paga pouco e é perigoso ser ainda atraente para alguns.

Então o que os leva a correr tamanhos riscos?

Silvia Ramos -A capacidade das armas para atrair meninas surgiu como um comentário constante não só de traficantes, ex-traficantes e jovens de projetos, como de mães e assistentes sociais que trabalham com jovens nas favelas. Luiz Eduardo Soares e outros autores já tinham chamado a atenção para os aspectos simbólicos, ligados à afirmação e à visibilidade, envolvidos nas dinâmicas da violência armada. Mas certamente o que há de mais comum em todas as histórias é a presença, dentro da favela, na esquina perto de casa, de grupos armados ostentando armas e “mandando no pedaço”. Como a “experiência”, o “ir e vir”, é uma característica da juventude contemporânea, experimentar a vida no crime poderia ser apenas uma passagem. Mas algumas vezes a passagem é fatal e esse garoto mata, morre ou vai preso.

Quais as principais conclusões do estudo?

Silvia Ramos -A conclusão principal é que é preciso ouvir os que estão no tráfico, os que saíram e os que trabalham no dia a dia das favelas com os jovens. Nós construímos estereótipos e certezas sobre o tráfico, as armas, as drogas e o crime, quando na verdade o mundo dentro dos grupos armados muda toda hora. Se quisermos entender o que está passando com esses meninos do Rio, precisamos ouvi-los. A segunda conclusão principal é: a única coisa realmente comum a todos os jovens que ingressam no crime é a presença de grupos ilegais armados na esquina de casa. Enquanto durar o controle territorial por traficantes e milícias em favelas do Rio, alguns jovens, às vezes sem muita convicção, vão experimentar “a vida”, como eles dizem. Mas essa experiência às vezes é definitiva. Para o próprio ou para outro. O mesmo se passa com os carros, a velocidade, os esportes radicais, o risco e tantas coisas que “atraem” na juventude. Se não houver blitz, polícia, pardal e multa impedindo que um garoto pegue o carro do pai e acelere a 120 por hora numa curva, alguns jovens sempre vão “experimentar” essa sensação de perigo. E alguns vão matar e morrer.

Quem são as principais vítimas e autores da violência letal no Rio de Janeiro e qual a relação com o foco do estudo?

Silvia Ramos -Morrem 50 mil pessoas aproximadamente por ano no Brasil vítimas de homicídio. Nossa taxa de homicídios é a sexta maior do mundo, com 26 por 100 mil. Nossa taxa de homicídio de jovens de 15 a 24 anos é a quinta maior, chegando a 50 por 100 mil. No Rio de Janeiro, tomando apenas os jovens, a taxa ultrapassa os 100 por 100 mil. Quando olhamos apenas para os jovens do sexo masculino negros e pardos aos 23 ou 24 anos, a taxa de homicídios do Rio chega a 400 por 100 mil. No Rio, a morte violenta tem cara, cor e endereço: é um rapaz negro morador de uma favela, ou de um bairro da Zona Oeste, usando bermuda e boné. Os autores desses homicídios – ainda que não existam estatísticas para comprovar – são predominantemente jovens envolvidos em dinâmicas de grupos armados, em geral traficantes de drogas, que vivem nas favelas. Mas não só: no Rio, a polícia mata mais de 1000 pessoas a cada ano. Sempre nas favelas e bairros pobres. Por isso o foco do estudo foram as favelas e bairros da Zona Oeste do Rio.

O que se pode fazer para mudar esse cenário?

Silvia Ramos -Cabe ao governo e à polícia retirar os grupos armados que dominam áreas da cidade pelos fuzis e granadas. Cabe a nós, como sociedade, pensar em alternativas para rapazes que tiveram passagens pela vida de bandidos, em geral têm baixa escolaridade, mas desejam experimentar a “emoção de fazer parte da sociedade” ou de “andar livremente por Copacabana, Ipanema e Leblon, de cabeça erguida”, como disse um jovem que saiu do tráfico e há um ano tem sua carteira assinada por meio de um projeto do AfroReggae. O AfroReggae está fazendo hoje, com mais de uma centena de jovens, aquilo que os governos deveriam se preocupar em fazer com milhares de garotos que estão nas favelas ou saindo das prisões.

Por que alguns saem do crime e outros não?

Silvia Ramos -Um disse que a namorada engravidou e ele precisava arrumar a vida. Outro disse que pensou na mãe, outro que viu um amigo sendo morto. Muitos disseram que a vida no tráfico é muito dura – 12 horas de trabalho, ganhando pouco, sob muito risco e ninguém fica rico. “A gente cansa, a ilusão acaba”, disseram. O fato é que, com algumas exceções, quase todos os rapazes que hoje se encontram no tráfico aceitariam experimentar um emprego com carteira assinada e largar as armas. Poder circular livremente pela cidade é uma atração muito forte para garotos que têm armas, algum dinheiro e “fama” na favela, mas não podem levar a namorada ou o filho ao shopping mais próximo. Poder dormir uma noite inteira sem pensar que a polícia ou o “alemão” pode entrar, é um sonho que os que estão segurando as armas referem permanentemente.

Existem jovens que vivem uma “vida dupla”?

Silvia Ramos -Essa é outra novidade que encontramos. As identidades não são sempre puras, como “traficante”, “estudante”, “trabalhador”, “bandido” ou “otário”. Alguns garotos quando voltam da escola trabalham algumas tardes da semana na “endolação” (embrulhando as drogas), alguns trabalham de dia numa empresa e à noite ou no fim de semana prestam serviços para a boca. Outros são traficantes profissionais, mas paralelamente têm seus negócios inteiramente legais na favela. Se os negócios derem certo, planejam “sair do crime”. Em resumo, as identidades instáveis, mutantes – ou as trajetórias ioiô, como denomina José Machado Pais – e a recusa aos rótulos também ocorre atualmente entre jovens de favelas e não só entre jovens de classe média.

Como é a hierarquia e a dinâmica no tráfico?

Silvia Ramos -A situação do tráfico nas favelas cariocas é bastante heterogênea. Não há mais padrões salariais, hierárquicos ou funcionais rígidos e a mudança ocorre não apenas de uma favela para outra, mas de uma semana para outra na mesma boca de fumo. O que predomina na maioria das comunidades é uma sensação de instabilidade, com chefes sendo mudados às vezes em semanas e muitos garotos novos tendo “muito poder”, segundo palavras de traficantes e ex-traficantes entrevistados. Outra mudança importante é a mistura da função de traficante e de assaltante. É comum, em algumas favelas, que o traficante “vá para a pista” roubar, quando o movimento das drogas está fraco. Isso no passado era inconcebível e poderia custar a vida de quem desobedecesse.

E o crack?

Silvia Ramos -Ouvimos muitas reclamações e comentários indignados, inclusive de traficantes, sobre a entrada do crack e o estrago e degradação que está causando em algumas áreas.

O que mais mata os integrantes de grupos?

Silvia Ramos -Quando imaginamos as mortes nos grupos ilegais armados, sejam traficantes ou milícias, pensamos em grandes confrontos, onde o opositor é um policial ou um bandido de outra facção. Mas na prática mortes acontecem o tempo todo dentro dos grupos, por ciúmes, inveja, tensões interpessoais, familiares, namoros e às vezes por brigas típicas de adolescentes. A proximidade das armas contribui ainda mais para uma cultura masculina que naturaliza a resolução de conflitos na base do tiro. Um ex-traficante contou que era o “frente” da favela. Um garoto da boca foi pra rua e voltou com uma “twister”, um tipo de moto. O frente pediu para dar uma volta, o garoto que trouxe a moto não deixou, disse que ele que roubou, a twister era dele. O “frente” disse: “tu tá pensando que tá falando com quem?” E disso desenvolveu-se uma disputa de “autoridade” que teria sido resolvida à bala se o garoto não tivesse cedido a moto. Típica briga de adolescentes. De fato, Alba Zaluar, nos primeiros estudos sobre os grupos armados – gangues, quadrilhas e galeras – chama atenção para este fato. Mas nas condições atuais, de crise e desorganização das bocas de fumo, há uma radicalização das decisões tomadas na base de disputas insanas e um aprofundamento da cultura da morte. Eu pessoalmente estou convencida que boa parte das “invasões” e tentativas de “tomadas” de territórios entre facções ou em confrontos com a polícia, que provocam tiroteios toda hora, mortes, perdas de armas, munições, dinheiro e drogas para os grupos… isso tem muito pouco de racionalidade econômica. O que predomina é uma lógica de gangue.

E as milícias, também reagem na base do tiro?

Silvia Ramos - Essa foi também a reação inicial das milícias quando finalmente a polícia resolveu combatê-las, no início do governo Sergio Cabral: jogaram bombas em delegacias, ameaçaram autoridades, executaram policiais, aumentaram as mortes. Mas passados quase três anos, tudo indica que vários grupos de milícia respondem com maior racionalidade econômica às investidas da polícia e tendem a se tornar menos visíveis no território, menos ostensivos e mais silenciosos, para manter a venda de sinal de televisão, gás, participação no transporte etc. O fenômeno é relativamente novo e não é possível ainda definir uma tendência definitiva, mas parece que a incapacidade dos grupos do tráfico de adaptar a venda das drogas no varejo a um modelo que não dependa do controle territorial armado – modelos que predominam em todas as outras cidades do Brasil – será uma das causas de sua decadência em várias favelas do Rio.

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